Sem médico de família agora? Governo não prevê aumentar cobertura até 2028

Quem espera por um médico de família não encontra grandes motivos para otimismo no plano do Governo para os próximos três anos. O SNS prevê manter em 85,37% a percentagem de utentes com médico atribuído em 2026, 2027 e 2028, exatamente o mesmo nível registado em 2024.

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O Serviço Nacional de Saúde não prevê aumentar, até 2028, a percentagem de utentes com médico de família atribuído. A meta definida pelo Governo permanece nos 85,37% ao longo dos próximos três anos, segundo o Quadro Global de Referência (QGR) do SNS para 2026-2028.

Na prática, não está prevista qualquer melhoria deste indicador face a 2024. A taxa de cobertura estabelecida para 2028 será exatamente a mesma registada quatro anos antes.

O QGR, publicado em Diário da República, consultado pela agência Lusa, estabelece as principais metas estratégicas, assistenciais e financeiras das unidades locais de saúde para o próximo triénio. Apesar de o despacho só agora ter sido publicado, produz efeitos desde 1 de janeiro.

A estagnação na atribuição de médicos de família contrasta com a evolução prevista noutros indicadores. O Governo estima que o número de consultas médicas aumente de 47,7 milhões, em 2026, para mais de 48,7 milhões, em 2028, enquanto as cirurgias deverão passar de cerca de 799 mil para quase 832 mil por ano.

Também os recursos humanos deverão ser reforçados. O SNS prevê passar de 157 mil trabalhadores para mais de 160 mil em 2028. Ao mesmo tempo, a despesa total deverá atingir 19.714 milhões de euros, mais 1.216 milhões do que o previsto para este ano.

Mais profissionais, mais consultas, mais cirurgias e mais despesa. Mas a cobertura de médicos de família fica exatamente no mesmo lugar: 85,37% em 2026, 85,37% em 2027 e 85,37% em 2028.

O documento é conhecido numa altura em que persistem dificuldades na contratação de profissionais em várias unidades do SNS. A Ordem dos Enfermeiros alertou recentemente para a existência de cerca de três mil novos enfermeiros disponíveis para entrar no mercado de trabalho, apesar das carências reportadas pelos serviços.

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