PISA: Professores alertam para falta de docentes após queda de Portugal

Os professores estão preocupados com a deterioração dos resultados dos jovens portugueses no estudo internacional PISA 2025, defendendo melhores condições para quem ensina e aprende e mais formação para a integração de dispositivos digitais no ensino.

© D.R.

O desempenho dos alunos portugueses de 15 anos piorou nas três áreas avaliadas pelo maior estudo sobre educação, o PISA (Programme for International Student Assessment), levando a Federação Nacional da Educação (FNE) a defender hoje que “não é possível discutir a qualidade das aprendizagens sem falar das condições em que se ensina e aprende”.

Em Leitura, os resultados estão piores do que na primeira participação portuguesa, em 2000, enquanto a Matemática os valores são semelhantes aos de 2003, quando Portugal era um dos países com piores resultados.

O país melhorou progressivamente até 2015, ano em que a OCDE o apontou como “uma das maiores histórias de sucesso da Europa”. Em 2018, os resultados estabilizaram, mas desde então têm vindo a cair. Na edição hoje divulgada, os investigadores dizem que a descida equivale aos alunos terem perdido mais de um ano de aulas.

Para a FNE, os resultados deixam uma “mensagem inequívoca”: “Não é possível discutir a qualidade das aprendizagens sem falar das condições em que se ensina e aprende”.

A FNE pede uma estratégia continuada para enfrentar os problemas estruturais das escolas, que têm falta equipamentos, infraestruturas, materiais pedagógicos, funcionários e docentes, segundo o estudo da OCDE que envolveu mais de 760 mil alunos de 91 países e economias.

No PISA 2025, Portugal surge como um dos países mais afetados pela falta de professores: Apenas 12,9% dos alunos frequentam escolas sem esse problema, contra 29% na média da OCDE.

Quase metade dos alunos (44%) reconhece que a falta de professores afeta a qualidade do seu ensino.

Mas há boas notícias: 80% dos alunos afirmam que os professores se interessam pela aprendizagem dos estudantes e 83% dizem receber apoio extra quando precisam, valores superiores à média da OCDE.

Apesar das dificuldades sentidas pelas escolas, os professores portugueses surgem como dando um apoio aos seus alunos muito acima da média da OCDE.

“Os professores continuam a ser uma das maiores forças da Escola Pública. Se queremos melhores resultados para os alunos, temos de garantir professores suficientes, valorizados e com condições para fazer aquilo que melhor sabem fazer: ensinar e acompanhar cada aluno”, defende a FNE.

A solução passa por uma “estratégia continuada para atrair, formar, fixar e reter professores, valorizar carreiras e salários, melhorar as condições de trabalho e reduzir a burocracia”, acrescenta a FNE em comunicado.

A utilização da Inteligência Artificial (IA) é outro dos motivos de preocupação, já que quase metade dos alunos portugueses diz utilizar IA para estudar e fazer trabalhos.

O PISA alerta que, embora a tecnologia possa apoiar a aprendizagem, a distração digital e o uso excessivo estão associados a piores resultados.

Para a FNE, é preciso dar mais formação aos professores nesta área e “apostar numa verdadeira estratégia de literacia digital e Inteligência Artificial”, reforçando competências de leitura, concentração, interpretação, pensamento crítico e autonomia intelectual.

“A Inteligência Artificial deve ajudar os nossos alunos a pensar melhor, nunca substituir o seu pensamento. Numa escola cada vez mais tecnológica, precisamos ainda mais de professores e de relações humanas fortes”, defende.

Últimas do País

Um homem de 35 anos, procurado pela Justiça marroquina por suspeitas de integrar uma rede criminosa dedicada à imigração ilegal, foi extraditado de Portugal para Marrocos. O suspeito, detido em Cascais pela Polícia Judiciária, terá participado num esquema que cobrava elevadas quantias para facilitar a entrada irregular de pessoas em Espanha.
Milhares de crianças e jovens com necessidades educativas especiais estão em risco de ficar sem apoio especializado, pois os Centros de Recursos para a Inclusão (CRI) continuam sem saber qual será o financiamento para o ano letivo.
O Entroncamento, município presidido por Nelson Cunha, eleito pelo CHEGA, registou a maior redução da criminalidade entre sete concelhos analisados pela PSP. Enquanto cinco municípios viram os números aumentar, a cidade governada pelo autarca do CHEGA contabilizou menos 77 ocorrências no primeiro semestre de 2026.
A GNR apreendeu 877,5 quilos de sardinha na Lota de Aveiro por incumprimento dos limites diários de captura legalmente estabelecidos, informou esta sexta-feira a força de segurança local.
Quatro mulheres, com idades entre os 25 e os 36 anos, foram detidas pela PSP, suspeitas de uma série de furtos em supermercados, perfumarias e lojas de cosméticos nos distritos do Porto e Aveiro. Três das suspeitas terão recorrido à violência, incluindo ameaças com um x-ato e agressões a funcionários, para conseguir fugir com os artigos furtados.
Quase 20% das pessoas entre 25 e 34 anos recorreu a apoio de saúde mental no ano passado, segundo dados do INE divulgados hoje.
A circulação nas Linhas 1 e 3 do Metro Sul do Tejo foi normalizada às 10:45 após uma colisão entre duas composições na Avenida Bento Gonçalves, em Almada, que causou dois feridos ligeiros e levou à abertura de um inquérito.
Um homem de 22 anos foi detido em Valongo por suspeita de circular com um veículo com matrículas falsas, segundo a GNR. A ação ocorreu durante uma fiscalização rodoviária na A41.
A Polícia Marítima apreendeu cerca de 464 kg de haxixe, em 10 fardos, entre o Cabo Espichel e Sines, no distrito de Setúbal, foi hoje anunciado.
Quase 90% das cerca de 8.000 crianças e jovens com doença crónica avançada não têm acesso a cuidados paliativos, segundo a associação do setor, que pede ao Governo uma aposta nesta área para mudar a realidade.