DGS regista 3.658 notificações de incidentes de segurança do doente em 2025

Mais de 3.650 incidentes de segurança do doente foram notificados em 2025 através do sistema nacional Notifica, a maioria feita por profissionais de saúde, com as quedas e as escaras entre as situações mais reportadas, revelam dados da DGS.

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Segundo dados divulgados a propósito do Dia Mundial da Segurança do Doente, assinalado hoje, foram notificados 3.658 incidentes em 2025, dos quais 3.421 comunicados por profissionais de saúde e 237 por cidadãos.

Os acidentes do doente, incluindo quedas e úlceras por pressão (escaras), foram a categoria mais notificada tanto pelos profissionais de saúde (37%) como pelos cidadãos (24%).

Entre os profissionais de saúde, depois dos acidentes do doente surgem os incidentes relacionados com comportamento (22%) e com infraestruturas, edifícios ou instalações (10%). Entre os cidadãos, estas categorias representam 20% e 14%, respetivamente.

A Direção-Geral da Saúde ressalva que os dados do Notifica — Segurança do Doente correspondem a incidentes comunicados ao sistema e não representam necessariamente o número total de incidentes ocorridos no sistema de saúde.

A chefe da Divisão de Planeamento e Melhoria da Qualidade da DGS, Carla Pereira, disse à agência Lusa que esta notificação existe em Portugal desde 2014.

Em 2015 foram registadas 1.516 notificações, tendo ocorrido uma diminuição em 2021, associada à transição da anterior plataforma de registo para o atual sistema.

“Desde 2022 houve um aumento considerável”, afirmou Carla Pereira, acrescentando que em 2023 foram registadas cerca de 4.000 notificações e que, desde então, os valores têm estabilizado na ordem das 3.500 notificações anuais.

“É importante notificar, porque se não notificarmos não encontramos os riscos e as fragilidades que muitas vezes permanecem desconhecidas na prestação de cuidados de saúde e isso permite-nos, conhecendo estes riscos, estas fragilidades, estes incidentes, estes erros, compreender os fatores que contribuem para que eles possam surgir e, com isso, implementar ações de melhoria”, afirmou.

Os profissionais de saúde são responsáveis pela grande maioria das notificações, porque têm uma cultura de notificação mais consolidada do que os utentes.

Segundo Carla Pereira, a DGS tem promovido campanhas para explicar aos cidadãos o funcionamento do sistema e distinguir a notificação de uma reclamação.

“A notificação é um ato anónimo, é um ato que permite a aprendizagem, é um ato para evitar incidentes futuros”, disse, explicando que não pretende culpabilizar quem está envolvido, mas perceber como é que o incidente aconteceu e como pode ser evitado no futuro.

O sistema integra unidades do Serviço Nacional de Saúde, instituições privadas e a rede de cuidados continuados. Caso uma instituição não esteja identificada na plataforma, pode ser indicada pelo próprio cidadão no momento da notificação.

Segundo a DGS, só em 2025 foram registados 94 gestores do SNS e seis do setor social.

O Dia Mundial da Segurança do Doente é este ano dedicado à segurança dos cuidados prestados às pessoas com doenças não transmissíveis, como a diabetes e a hipertensão.

“Pretende-se pedir às pessoas que participem e que tenham um papel mais ativo na definição do seu plano de cuidados, que compreendam o seu plano e que saibam vigiar os sinais clínicos que lhes são pedidos”, afirmou Carla Pereira.

Defendeu que compreender o plano de cuidados pode contribuir para uma melhor monitorização da doença e reduzir riscos associados à falta de informação ou à dificuldade em cumprir as orientações clínicas.

Realçou ainda a importância de os profissionais incentivarem os doentes a colocar questões e de adaptarem a comunicação às necessidades de cada pessoa, sobretudo numa população envelhecida e em situações em que os cuidados são assegurados também por familiares ou outros cuidadores.

“Não chega só perguntar: `percebeu?`. É preciso ter outras estratégias e é preciso incentivar os utentes a fazer questões”, salientou.

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