Portugueses entre os mais céticos na UE sobre preparação para desastres

A população portuguesa está entre as mais céticas na União Europeia quanto à capacidade de as autoridades nacionais lidarem com desastres naturais. Um relatório revela que 66% dos portugueses consideram que as autoridades nacionais não estão bem preparadas para lidar com esses eventos, a quarta taxa mais elevada na União Europeia.

© MIGUEL A. LOPES/LUSA

A população portuguesa está entre as mais céticas na União Europeia quanto à capacidade de as autoridades nacionais lidarem com desastres naturais, como incêndios ou inundações, segundo um Eurobarómetro hoje divulgado.

De acordo com o relatório, 66% dos portugueses consideram que as autoridades nacionais não estão bem preparadas para lidar com esse tipo de ocorrências, a quarta taxa mais elevada em toda a União Europeia (UE), apenas ultrapassada em Chipre (67%), Lituânia (69%) e Grécia (76%).

Dos portugueses inquiridos, 28% consideram que as autoridades nacionais estão “bastante bem preparadas”, abaixo da média europeia (40%).

No que se refere às autoridades locais ou regionais, Portugal regista a segunda taxa mais elevada de ceticismo em toda a UE: 69% dos portugueses consideram que essas autoridades não estão bem preparadas, a mesma percentagem que a registada na Lituânia e apenas ultrapassada pela Grécia (78%).

Questionados se se sentem pessoalmente bem preparados para lidar com catástrofes ou emergências que possam surgir na sua área de residência, os portugueses voltam a estar entre os mais apreensivos: 66% afirmam que não, a segunda percentagem mais elevada em toda a UE, novamente ultrapassada apenas na Grécia (72%).

Em sentido contrário, os portugueses estão entre os mais otimistas quanto à capacidade de as autoridades a nível global lidarem com desastres naturais: 58% consideram que estão bem preparadas, a segunda taxa mais elevada em toda a UE.

Portugal é também o segundo país da UE onde a população é mais favorável a que a UE ajude na coordenação da resposta a desastres nacionais, com 97% dos inquiridos a considerarem que essa coordenação é importante.

Portugal é igualmente o segundo país da UE, apenas ultrapassado pela Espanha, onde a população mais concorda com um reforço no futuro das ações de coordenação do bloco: 97% manifestam-se favoráveis a esse reforço.

Em comunicado, a Comissão Europeia afirma que este Eurobarómetro mostra que os europeus manifestam um “apoio muito expressivo a uma abordagem europeia coordenada” a nível de preparação e resposta a catástrofes.

“Nove em cada dez europeus consideram importante que a UE ajude a coordenar a resposta a catástrofes, tanto no seu território como em países. Além disso, 94% concordam que os Estados-membros devem apoiar-se mutuamente quando uma catástrofe ultrapassa a capacidade de resposta de um país”, adianta o comunicado.

Para o executivo comunitário, “estes resultados sublinham a importância que os europeus continuam a atribuir à solidariedade, à preparação e à ação coletiva perante catástrofes que não conhecem fronteiras e que exigem, cada vez mais, soluções conjuntas”.

Este Eurobarómetro foi realizado entre 26 de maio e 15 de junho de 2026. No total, foram entrevistados 26.456 europeus. Em Portugal, realizaram-se 1.060 entrevistas.

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