Ventura acusa Governo de hipocrisia e critica posição do PS sobre IVA dos combustíveis

O líder do CHEGA, André Ventura, acusou este domingo o primeiro-ministro e o Governo de irresponsabilidade política e hipocrisia sobre o tema do IVA dos combustíveis, e pediu também ao PS que ponham a mão na consciência.

© Folha Nacional

“Isto é de uma hipocrisia sem nome, de uma irresponsabilidade politica e pública sem nome e é isto que leva as pessoas a deixarem de acreditar na politica verdadeiramente”, declarou André Ventura aos jornalistas, no Funchal.

O presidente do CHEGA referia-se às declarações do ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, numa entrevista à agência Lusa, na qual avisou que a redução do Imposto Sobre o Valor Acrescentado (IVA) dos combustíveis e a aplicação de IVA zero ao cabaz alimentar, que constam de propostas apresentadas pelo CHEGA que serão discutidas a 24 de setembro no Parlamento, fariam Portugal entrar em défice em 2027.

“Eu queria recordar o senhor primeiro-ministro e o ministro das Finanças também que foram eles quem, precisamente, apoiou a descida dos combustíveis quando num outro momento em que o PSD ainda não era Governo, estava na oposição e começou a guerra na Ucrânia, defendeu precisamente a descida do IVA dos combustíveis”, disse o também deputado do CHEGA.

Ventura argumentou que esta medida é “a forma mais rápida e eficaz de produzir uma redução real dos preços nas bombas de gasolina” e é “a única solução possível” para ajudar as pessoas rapidamente e de forma eficaz.

Segundo André Ventura, esta redução “não é contraditória, nem incompatível com nenhum desconto que o Governo queira atribuir temporariamente até a medida estar em vigor”, sustentando ser “a única que permanentemente garante que as pessoas vão pagar menos, conforme já foi feito noutros países”.

“O que eu não compreendo é como Montenegro em 2022 dizia que se devia descer o IVA dos combustíveis e o Montenegro de 2026 acha que é irresponsável propor a descida dos combustíveis”, sublinhou.

Ventura também criticou a posição do secretário-geral do PS que anunciou no passado dia 17 que o PS vai votar contra as propostas do CHEGA.

A proposta do CHEGA para reduzir o IVA sobre os combustíveis dos atuais 23% para a taxa intermédia de 13% prevê que, em caso de aprovação, entre em vigor após a aprovação do Orçamento do Estado subsequente à sua publicação.

No mesmo dia, 24 do presente mês, estará em votação um projeto de resolução do PS com medidas para mitigar o aumento do custo de vida, no qual os socialistas vão insistir pela terceira vez, depois de já ter sido por duas vezes chumbado nas suas versões anteriores.

Quando anunciou que o PS votaria contra a proposta do CHEGA, José Luís Carneiro argumentou que não tem efeitos imediatos mas só a partir de janeiro e disse que as propostas do PS tem aplicação imediata e até podem ter “efeitos retroativos”.

Ventura criticou a “hipocrisia sem qualquer limite” e a “falsidade sem qualquer limite”, considerando que é isso que “gera verdadeiramente o descrédito da politica”.

“Não vamos voltar atrás na ordem do dia que está estabelecida. Peço ao secretário-geral do PS e ao líder do PSD que metam a mão na consciência”, porque esta é “a hipótese que temos, a última nos próximos tempos, de descer o IVA nos combustíveis verdadeiramente”, afirmou.

Segundo André Ventura, Portugal tem “o preço dos transportes caríssimo, das mercadorias absolutamente inaceitáveis, nas bombas de gasolina absolutamente insuportáveis”.

“Ou fazemos alguma coisa ou então achamos que os portugueses só têm que aguentar, aguentar, aguentar e calar. Um dia vai correr mal”, alertou.

“Espero que no dia 24 se dê este sinal ao país. Ainda tenho esperança que seja aprovado e lamento muito pela hipocrisia, pela falsidade, pela incoerência desta posição do PS que, espero, ainda seja repensada”, concluiu.

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