Comprar casa está mais caro e dívida das famílias dispara

Os preços aumentaram 16,5% no segundo trimestre, enquanto o número de negócios caiu 6,4%. Endividamento dos particulares regista o maior crescimento anual desde 2008.

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O mercado imobiliário português continua a contrariar a lógica mais imediata: vendem-se menos casas, mas os preços continuam a subir a dois dígitos.

Entre abril e junho, os preços da habitação aumentaram 16,5% em termos homólogos, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), consultados pelo Correio da Manhã. Apesar da subida expressiva, o ritmo abrandou 1,3 pontos percentuais face ao trimestre anterior, naquela que foi a segunda desaceleração consecutiva.

As casas usadas continuam a pressionar os preços. Registaram uma valorização homóloga de 18%, acima dos 12,3% verificados nas habitações novas.

Menos casas vendidas, mas mais dinheiro em jogo

O número de negócios seguiu, porém, o caminho inverso. No segundo trimestre foram transacionadas 40 142 habitações, menos 6,4% do que no mesmo período de 2025.

As famílias continuaram a dominar as compras, com 34 935 imóveis adquiridos, o equivalente a 87% do total das transações.

Também a procura estrangeira perdeu força. Segundo a mesma fonte, os compradores estrangeiros adquiriram 1 890 habitações, representando 4,7% do total e uma quebra homóloga de 10,3%.

Apesar da redução das vendas, o dinheiro movimentado aumentou. As transações atingiram 10,7 mil milhões de euros, mais 4,2% do que no mesmo trimestre do ano passado.

Crédito à habitação faz disparar dívida das famílias

A pressão estende-se ao endividamento. Dados do Banco de Portugal mostram que a dívida dos particulares cresceu 10% em termos homólogos em julho, o aumento mais acentuado desde o início da série, em dezembro de 2008.

Só em julho, o endividamento dos particulares aumentou 1,6 mil milhões de euros. Desse montante, 1,2 mil milhões resultaram do crédito à habitação.

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