A guerra no Irão está a fazer-se sentir cada vez mais na carteira das famílias. Depois dos combustíveis e da conta do supermercado, também a prestação da casa passou a pesar mais no orçamento de quem está a pagar um empréstimo ao banco.
Desde o início dos ataques dos Estados Unidos ao Irão, a 28 de fevereiro, o Banco Central Europeu (BCE) aumentou por duas vezes as taxas de juro. A mais recente subida, decidida a 10 de setembro, foi de 0,25 pontos percentuais.
O impacto chegou diretamente ao crédito à habitação. Quase um milhão de famílias portuguesas têm empréstimos a taxa variável, segundo dados do Banco de Portugal, estando por isso particularmente expostas às oscilações da Euribor.
E a subida já se traduz em dezenas de euros a mais todos os meses. Em alguns casos, a prestação da casa aumentou mais de 100 euros desde o início do conflito.
Simulações realizadas pelo Jornal de Notícias para empréstimos com capitais em dívida de 50 mil, 100 mil e 200 mil euros mostram a dimensão do agravamento provocado pela evolução da Euribor, indexante utilizado em grande parte dos contratos de crédito à habitação a taxa variável.
No início da guerra, as prestações consideradas nestas simulações variavam entre 211,15 e 867,34 euros por mês, consoante o montante ainda em dívida e a Euribor associada ao contrato.