No Dia Internacional das Pessoas Idosas, que se hoje se assinala, a Polícia de Segurança Pública dá conta dos resultados da 14.ª operação “A Solidariedade Não Tem Idade – A PSP com os idosos” que decorreu entre 27 de julho e 25 de setembro nos centros urbanos de todo o país.
Durante a operação, a PSP realizou 2.240 contactos individuais com a população mais idosa, dos quais resultaram a sinalização de 461 idosos e o encaminhamento para instituições de apoio social de 318, dos quais 294 encontravam-se em situações de risco.
“Destes contactos individuais procedemos posteriormente à sinalização e eventual encaminhamento dos casos mais vulneráveis”, disse o chefe da Divisão de Prevenção Criminal e Policiamento de Proximidade da PSP em entrevista à agência Lusa.
Hugo Guinote avançou que o número de sinalizações de idosos “mantém-se relativamente constante em relação aos anos anteriores” e considerou que as situações que continuam a preocupar a PSP “são a falta de autonomia e a ausência da rede de contactos”.
Das situações de risco, a polícia encontrou este ano 139 casos com “falta de autonomia” e 68 com “ausência de rede de contactos”.
Esta operação de cariz preventivo, que se realiza anualmente desde 2012, é feita sobretudo através dos polícias que integram as Equipas de Proximidade e Apoio à Vítima (EPAV) com o objetivo de detetar junto da população idosa casos de fragilidade social, de maior vulnerabilidade física ou psíquica e de suspeitas de vítimas reiteradas de crimes.
O chefe da Divisão de Prevenção Criminal e Policiamento de Proximidade da PSP sublinha que os números mostram “a vulnerabilidade” que os idosos correm nos centros urbanos.
“Não obstante estarem naquilo que era pressuposto um ambiente mais protegido, por estarem com pessoas à volta, a realidade é que não tendo uma rede de contactos, acabam por estar não isolados geograficamente, mas sim psicologicamente”, disse.
Hugo Guinote salienta igualmente que esta operação visa “a deteção, tão precoce quanto possível, de indicadores de risco, bem como a promoção do apoio imediato e necessário através de respostas concertadas com as entidades parceiras”.
“Não existe uma relação direta entre o risco que os idosos correm por estarem sós ou não. O que isso contribui é para uma vida cada vez mais distante das outras pessoas. Muitas vezes sentem-se mais inseguros do que na realidade estão, mas isso contribui para, ao se ausentarem do convívio social, viverem diminuídas as suas faculdades mentais ao longo do tempo e daí sim resulta uma maior vulnerabilidade”, explicou ainda.
Hugo Guinote disse ainda que participaram na operação deste ano 370 polícias, que realizaram 188 ações de sensibilização, abrangendo 3.883 idosos.
No ano passado, a PSP sinalizou 559 idosos, 391 dos quais em situação de risco.