“Apesar de termos mais equipas, mais profissionais com formação, estas equipas continuam muito desfalcadas naquilo que é a dotação efetiva de recursos”, lamentou a pediatra Cândida Cancelinha, do Hospital Pediátrico – Unidade Local de Saúde de Coimbra.
Em declarações à Lusa a propósito do Dia Mundial dos Cuidados Paliativos Pediátricos, que se assinala esta sexta-feira, a pediatra reconheceu que esta “não é uma área deserta, mas é uma área em que a falta de respostas continua a ser grande”.
Segundo a Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP), em Portugal, estima-se que cerca de 8.000 crianças e adolescentes vivam com doenças graves, progressivas e/ou incuráveis, com necessidade de apoio de equipas de cuidados paliativos.
Destas, cerca de 90% continuam sem acesso, “num sofrimento que se prolonga sem ajuda”, refere a APCP, que no domingo promove a iniciativa “Pequenos passos, grandes caminhadas”, na zona de Belém, em Lisboa.
Na Carta de Belém, um documento que será apresentado durante a caminhada, os promotores definem cinco prioridades para mudar a realidade dos cuidados paliativos.
A primeira é a garantia de acesso a estes cuidados, independentemente do local onde se reside.
Cândida Cancelinha, também vice-presidente da APCP, lembra que “há regiões do país muito bem providas de equipas de cuidados paliativos pediátricos, mas há outras zonas onde isto ainda não é uma realidade”, e dá como exemplo toda a faixa interior de Portugal Continental e as regiões do Alentejo e Algarve.
A segunda prioridade definida na Carta de Belém é que as equipas especializadas tenham profissionais formados e com tempo efetivamente alocado para poderem prestar estes cuidados e a terceira é o apoio ao domicílio.
“É talvez a área em que continuamos mais a descoberto quando nos comparamos com outros países, quer da União Europeia, quer da América do Norte, onde a rede de cuidados domiciliários é muito forte e muito poderosa naquilo que é a prevenção e a diminuição do consumo de recursos hospitalares”, explicou Cândida Cancelinha.