Tribunal de Contas alerta contra enfraquecimento da fiscalização

A presidente do Tribunal de Contas defendeu que reformas das finanças públicas não devem enfraquecer o controlo externo da despesa, para proteger as democracias.

© Site Tribunal de Contas

A presidente do Tribunal de Contas (TdC) defendeu hoje que qualquer reforma das finanças públicas não deve enfraquecer a fiscalização externa da despesa, para proteger as democracias num contexto em que os Estados mobilizam recursos avultados perante imprevistos.

“Qualquer reforma do quadro legislativo destas instituições – e do próprio regime das finanças públicas substantivo – não deve resultar num enfraquecimento do controlo das finanças públicas, especificamente do controlo externo das finanças públicas”, afirmou Filipa Urbano Calvão, referindo-se ao papel do Tribunal de Contas português e do Tribunal de Contas Europeu (TCE).

A posição de Filipa Urbano Calvão surge numa altura em que se encontra em discussão na especialidade, no parlamento, uma proposta do Governo que altera a organização do tribunal, diminuindo o número de casos em que a aprovação de despesa pública fica sujeita a visto prévio do TdC, passando a isentar de fiscalização prévia os contratos até 10 milhões de euros.

Durante a apresentação do relatório anual do Tribunal de Contas Europeu de 2025 aos responsáveis da administração pública portuguesa, hoje em Lisboa, Urbano Calvão alertou que “num contexto específico de crescentes desafios externos às finanças públicas da União Europeia e dos Estados Membros”, qualquer alteração não pode descurar o controlo externo, do qual um dos vértices é o TdC.

A presidente do tribunal reforçou que os desafios decorrentes da fragilidade e imprevisibilidade do mundo atualmente, com a guerra no Médio Oriente, a continuação da guerra na Ucrânia, a subida dos preços da energia e das pressões inflacionistas, as disputas comerciais e os riscos associados ao “desenvolvimento muito acelerado da Inteligência Artificial” e as catástrofes decorrentes das alterações climáticas obrigam os Estados a fazer um “esforço financeiro muito avultado, obrigando os governos a fazer escolhas muitas vezes difíceis” para afetar os recursos públicos.

Nesse contexto, disse, “o papel das instituições de controlo, em especial, de controlo externo” – como são o caso do TdC e do TCE – “assume uma importância acrescida na garantia de que os recursos públicos – de todos – sejam utilizados com rigor, responsabilidade e eficácia na satisfação das necessidades da comunidade”.

Urbano Calvão garantiu que tanto o TdC quanto o TCE continuarão a “escrutinar a gestão das políticas e dos programas públicos e a utilização dos recursos financeiros com independência, rigor e sentido de responsabilidade”.

Na presença do membro português do Tribunal de Contas Europeu, o ex-ministro das Finanças João Leão, Filipa Urbano Calvão sublinhou o papel desta instituição, fazendo um “paralelismo funcional” entre o relatório anual do TCE relativamente ao orçamento da União Europeia e o parecer que o Tribunal de Contas nacional dá à Conta Geral do Estado.

Últimas de Economia

A presidente do Tribunal de Contas defendeu que reformas das finanças públicas não devem enfraquecer o controlo externo da despesa, para proteger as democracias.
A receita fiscal prevista para o próximo ano equivale a cerca de 7.350 euros por habitante, num cenário em que o Estado espera arrecadar mais dinheiro através dos impostos.
O Estado português prepara-se para arrecadar 70,67 mil milhões de euros em impostos no próximo ano, um novo máximo que representa mais 2,86 mil milhões de euros face à estimativa para 2026.
O presidente do CHEGA responsabiliza o Partido Socialista de abrir caminho a um Orçamento que, segundo afirma, vai agravar o custo de vida das famílias. O líder do CHEGA critica a ausência de reduções do IVA nos combustíveis e no cabaz alimentar e denuncia um “falhanço em toda a linha”.
O Governo prevê arrecadar 3.796 milhões de euros em 2027 com o imposto sobre os produtos petrolíferos e energéticos (ISP), mais 186 milhões do que o estimado para este ano, segundo a proposta de Orçamento do Estado para 2027.
André Ventura acusou o Governo de estar a penalizar os portugueses com a subida dos impostos e voltou a exigir uma redução do IVA nos combustíveis. “Os portugueses estão a sofrer, e não é pouco”, defendeu.
O cabaz alimentar composto por 63 bens essenciais monitorizado pela Deco Proteste voltou a subir 1,34 euros, fixando-se nos 255,56 euros, informou hoje a associação de defesa do consumidor.
O antigo ministro João Gomes Cravinho admitiu hoje que soube de forma "muito genérica" que o custo das obras no antigo Hospital Militar de Belém iria derrapar, mas ressalvou que nunca surgiu um "pedido de despesa suplementar".
A diferença entre as duas maiores cidades do país é expressiva: 583 novos alojamentos locais no Porto contra apenas 124 em Lisboa desde o início do ano.
A Caixa Geral de Aposentações (CGA) calculou mal as pensões de 2937 pessoas e atribuiu-lhes valores superiores aos que resultavam da aplicação da lei. A falha foi agora detetada e os recém-reformados estão a ser informados de que vão passar a receber menos.