O presidente do CHEGA, André Ventura, marcou presença esta segunda-feira, 12 de outubro, na manifestação dos agricultores junto à Assembleia da República, em Lisboa, onde criticou a carga fiscal sobre o setor agrícola, os elevados preços dos combustíveis e a falta de apoios à produção nacional. Ventura alertou para o risco de Portugal perder capacidade produtiva e ficar cada vez mais dependente das importações de países como Espanha e França.
À margem da manifestação dos agricultores, André Ventura acusou o Governo de não dar uma resposta adequada às dificuldades enfrentadas pelo setor agrícola português, apontando os impostos, os custos de produção e a desigualdade de condições face aos concorrentes europeus como alguns dos principais obstáculos à competitividade nacional.
“O CHEGA é o partido que mais ferozmente tem combatido o aumento dos impostos”, afirmou o líder partidário, que denunciou aquilo que considera ser uma situação de profunda injustiça fiscal para os produtores portugueses.
Ventura estabeleceu uma comparação com Espanha, afirmando que o país vizinho dispõe de um pacote de apoios à agricultura “40 vezes maior”, e criticou os encargos suportados pelos agricultores portugueses ao longo de toda a atividade económica.
“Quer para produzir, quer para vender, é preciso pagar”, lamentou, defendendo que a carga fiscal e os elevados preços dos combustíveis comprometem a capacidade de concorrência do setor.
O presidente do CHEGA deixou ainda um alerta sobre as consequências da perda de produção agrícola nacional. Na sua perspetiva, se Portugal continuar a perder capacidade produtiva, acabará por depender cada vez mais das importações de produtos provenientes de Espanha ou de França.
“É uma injustiça fiscal e temos de competir com isso”, afirmou, sublinhando as dificuldades de quem produz em Portugal perante mercados que, segundo o próprio, beneficiam de condições mais favoráveis.
As críticas estenderam-se às prioridades do Executivo. André Ventura acusou o Governo de optar por investimentos que, no seu entender, não respondem às necessidades mais urgentes do país.
“O Governo optou por fazer investimentos que ninguém entende”, declarou.
Durante as declarações aos jornalistas, o líder do CHEGA abordou também a situação política nacional e Luís Neves, afirmando que “talvez as pessoas comecem a abrir os olhos para perceber quem é Luís Neves” e acrescentando que “alguma coisa não está certa com Luís Neves”, sem concretizar, nas declarações aqui reproduzidas, os motivos dessas suspeitas.