As bandeiras do PCP marcam presença nas tendas instaladas durante os protestos contra a crise da habitação. A imagem chama a atenção para uma realidade menos conhecida do partido: o seu património imobiliário e as receitas obtidas através de negócios com propriedades.
Em 2019, o Público destacou o PCP como o partido que mais negócios fazia com o património imobiliário. Já uma investigação do Expresso, publicada em 2016, identificara 329 imóveis pertencentes aos comunistas e receitas anuais de cerca de 600 mil euros provenientes de rendas e mais-valias.
Dados da Entidade das Contas e Financiamentos Políticos, citados pelo Diário de Notícias em 2024, apontavam para 326 prédios — 281 urbanos e 45 rústicos —, com um património imobiliário avaliado em 14,475 milhões de euros.
O historial de operações imobiliárias inclui negócios em Lisboa, Porto e Aveiro. Neste último caso, o PCP comprou a antiga Vivenda Aleluia por 350 mil euros, em 2014, e celebrou, em 2023, uma permuta com uma empresa imobiliária, recebendo em troca cinco frações avaliadas contratualmente em 800 mil euros.
A operação foi alvo de uma investigação do Ministério Público por suspeitas de financiamento partidário ilegal, segundo noticiou o Diário de Notícias em janeiro de 2024. A abertura de um inquérito não significa que tenha sido cometido qualquer crime, não estando confirmado o desfecho do processo.
Mais recentemente, em março de 2025, a revista SÁBADO identificou ligações de dirigentes e pessoas próximas do PCP à Dispõe Propriedades, sociedade dedicada à compra, venda e arrendamento de imóveis. A empresa detinha outras duas sociedades com adjudicações de autarquias governadas pela CDU, embora essas ligações não signifiquem que as empresas pertençam diretamente ao partido.