OS SALVADORES DA SEGURANÇA SOCIAL

Durante anos, o sistema político e mediático repetiu um mantra até à exaustão, era preciso escancarar as portas do país para salvar a Segurança Social. Embora o atual Governo tenha sido forçado, pela pressão da realidade, a anunciar um aperto nas entradas, a verdade é que as consequências estruturais deste modelo económico irresponsável já estão instaladas e continuam a asfixiar a classe média portuguesa.
​A falha desta narrativa começa logo na ignorância de uma regra económica básica, a lei da oferta e da procura. Ao ter-se permitido a entrada massiva de mão-de-obra desqualificada e disposta a sujeitar-se a condições mínimas, o mercado de trabalho foi inundado. Quando a oferta de trabalhadores se torna inesgotável, o mercado transforma-se numa máquina de elevada rotatividade e o resultado direto é a estagnação crónica dos ordenados. Se um trabalhador que ganha o salário mínimo exigir melhores condições, a empresa não tem qualquer incentivo para o reter, basta substituí-lo no dia seguinte por outro igualmente disposto a aceitar a precariedade, eliminando qualquer pressão para que os salários subam.

​Curiosamente, este modelo económico faz da esquerda a verdadeira aliada do grande capital, ao fornecer-lhe a mão-de-obra barata e descartável de que necessita para nunca aumentar salários. Chegados a este ponto, é preciso ter a coragem de dizer o óbvio, se uma empresa não consegue sobreviver sem depender exclusivamente de trabalhadores pagos a salários de miséria e de mão de obra precária e desqualificada, então esse modelo de negócio é inviável e não tem lugar numa economia desenvolvida. Numa fase de mudança e modernização, o mercado deve premiar as empresas fortes, eficientes e que valorizam os seus quadros. Quem não tem capacidade de gestão para pagar ordenados dignos não pode ser patrão à custa da precariedade alheia, deve, antes, integrar o mercado de trabalho como colaborador.
​É exatamente esta concorrência desleal, fomentada pelo próprio Estado e pela esquerda, que esmaga o poder de compra dos portugueses e empurra a nossa juventude para a emigração. Contudo, a destruição provocada por este modelo vai muito além dos baixos salários, estendendo-se de forma devastadora à habitação.

​Vejamos a realidade nua e crua. Um casal português com dois filhos, vivendo com um rendimento agregado de 2.000€, o correspondente a dois salários medianos, depara-se hoje com rendas de 1.300€ por um simples T2 no concelho de Sintra. A esta fatia brutal somam-se as pesadas despesas inadiáveis inerentes a duas crianças a cargo, alimentação para quatro pessoas, material escolar, saúde, transportes e faturas de energia e água. Torna-se matematicamente impossível fechar o mês quando só o teto devora 65% do orçamento familiar, sobrando uma miséria para a sobrevivência básica. O mercado chegou a este ponto de rutura porque as famílias portuguesas estão a ser forçadas a competir com grupos de dez, quinze ou mais imigrantes que se juntam na mesma casa. Para estes grupos, aceitar rendas altíssimas não é um obstáculo, pois o valor é dividido por muitos. O mercado imobiliário adaptou-se rapidamente a esta lógica de sobrelotação, puxando os preços para níveis absolutamente incomportáveis para quem tem apenas um ou dois ordenados.

​Perante este duplo estrangulamento, salários esmagados e rendas inflacionadas, a falácia de que a imigração descontrolada salva a Segurança Social desmonta-se com enorme facilidade. Assentar a sustentabilidade do sistema num exército de contribuintes precários e rotativos, que vivem amontoados e encarecem o custo de vida para todos os outros, não é uma salvação, é uma bomba-relógio social e económica. O que o Estado arrecada hoje em contribuições de baixo valor, pagará com juros amanhã no agravamento da crise habitacional e social.

​Portugal não pode continuar a ser o país dos salários de miséria e das rendas impossíveis. Exige-se uma mudança de paradigma, inspirada em modelos de sucesso como, por exemplo, o da Austrália, onde a imigração funciona como uma mais-valia estrutural. O Estado tem o dever de definir quotas de entrada estritamente baseadas nas necessidades do tecido económico. Faltam médicos? Abrem-se vagas internacionais exclusivas para essa área. Há carência na construção civil? Atraem-se de forma legal e integrada os profissionais necessários. Quem vem, tem de vir para acrescentar valor à nossa sociedade, e não para alimentar um ciclo de precariedade. É nosso dever expor esta farsa económica e garantir que os portugueses nunca sejam os parentes pobres na sua própria terra.

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