Mais de 1,5 milhões continuam sem médico de família. Lisboa e Vale do Tejo com os piores números

Número de utentes sem acompanhamento volta a crescer em outubro, apesar do aumento das inscrições nos centros de saúde. Lisboa e Vale do Tejo continuam a liderar a lista negra, com quase um terço dos utentes sem médico atribuído. Governo promete reforço, mas falha persiste.

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O número de portugueses sem médico de família voltou a aumentar em outubro, apesar de os cuidados de saúde primários (CSP) continuarem a registar mais inscrições. De acordo com os dados mais recentes do Registo Nacional de Utentes (RNU), consultados pelo Correio da Manhã (CM), existiam no final de outubro 10 706 982 utentes inscritos nos centros de saúde, mais 30 778 do que em setembro e 192 059 acima do valor registado em janeiro.

Sem médico de família atribuído estavam 1 542 988 utentes, mais 28 754 do que no mês anterior. Ainda assim, o número é inferior ao de janeiro, altura em que havia mais 21 215 pessoas sem acompanhamento médico. Ou seja, há mais inscritos, mas também mais utentes com médico atribuído, sinal de que a cobertura tem vindo a melhorar de forma gradual.

A região de Lisboa e Vale do Tejo continua a ser a mais problemática: 28% dos utentes não têm médico de família, representando 71% do total nacional de pessoas sem acompanhamento nos cuidados de saúde primários. Em várias Unidades Locais de Saúde (ULS) da região, o cenário é ainda mais grave, com percentagens superiores a 30%. É o caso da ULS Arrábida (91 760 utentes sem médico, 36,25%), Arco Ribeirinho (84 916, 34,66%) e Amadora-Sintra (187 877, 32,94%). Também as ULS do Médio Tejo, Santa Maria e Loures-Odivelas ultrapassam essa fasquia.

Atualmente, avança o CM, o RNU identifica 5 519 médicos de família a exercer nos cuidados primários: 2 249 no Norte, 1 685 em Lisboa e Vale do Tejo, 1 055 na região Centro, 269 no Alentejo e 262 no Algarve. A ULS Tâmega e Sousa é a que mais profissionais possui (277 médicos), seguida da ULS Lisboa Ocidental (270) e da ULS Algarve (262). Na Grande Lisboa, há várias unidades com mais de 200 médicos, como Amadora-Sintra (229) e São José (224).

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