“Nem que pagues com o corpinho”: chefe de gabinete do ministro da Agricultura acusado de assédio sexual fica sem castigo

A mensagem gerou indignação, o caso abalou o ministério e levou a uma demissão, mas o inquérito interno concluiu que não houve infração disciplinar. Nataniel Araújo sai ilibado e continua como chefe de gabinete da Agricultura.

© DR

O inquérito interno que avaliou as suspeitas de assédio sexual envolvendo Nataniel Araújo, chefe de gabinete do ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, concluiu pela inexistência de indícios de qualquer infração disciplinar, noticia o Correio da Manhã. A decisão, tomada na semana passada e datada de 5 de dezembro, permite que o responsável se mantenha em funções, sem qualquer sanção — sendo de sublinhar que nunca chegou a ser preventivamente afastado do cargo.

De acordo com o CM, o processo teve origem em denúncias apresentadas por uma assessora de 29 anos, que exerceu funções no ministério durante cerca de três meses e que acabou por se demitir em setembro, alegando que a saída esteve diretamente relacionada com os factos em investigação. Entre os elementos analisados pela Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território constam mensagens trocadas entre ambos, incluindo uma que gerou particular controvérsia: “Nem que pagues com o corpinho”, escreveu Nataniel Araújo, numa referência associada ao esforço exigido após uma promoção profissional.

Apesar do teor da mensagem, o inquérito concluiu que não existiam fundamentos suficientes para configurar assédio sexual ou outra infração disciplinar, refere o Correio da Manhã. No âmbito da investigação, Nataniel Araújo entregou todas as mensagens trocadas com a ex-colaboradora, sustentando que o conteúdo não ultrapassava os limites legalmente previstos. A assessora apresentou igualmente os elementos que considerava relevantes, incluindo alegações de perseguições e de presenças à porta da sua residência durante a madrugada.

Sobre este último ponto, o chefe de gabinete justificou essas deslocações com o facto de a assessora ter deixado de comparecer ao trabalho, afirmando que se limitou a dirigir-se ao local onde sabia que residia para averiguar a situação.

Quando o caso foi tornado público, em outubro, o Ministério da Agricultura confirmou a abertura de um processo de averiguações, por iniciativa do próprio ministro. Concluída a investigação, o resultado acabou por ilibar o visado.

Antes de integrar o atual Governo, Nataniel Araújo exerceu funções como vereador na Câmara Municipal de Vila Real, eleito pelo PSD. Em 2024 suspendeu o mandato autárquico para assumir cargos governativos, primeiro como adjunto no Ministério do Ambiente e da Energia e, já em 2025, como chefe de gabinete no Ministério da Agricultura e do Mar. É também companheiro da deputada da Assembleia da República Carla Barros, eleita pela Aliança Democrática.

Últimas de Política Nacional

O CHEGA defendeu ontem que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, "perdeu por completo o controlo da situação" relativa ao ministro da Administração Interna e insistiu na saída de Luís Neves do cargo.
O Ministério da Justiça (MJ) ordenou uma auditoria interna à Polícia Judiciária (PJ) na sequência das notícias sobre o funcionamento desta polícia no mandato do ex-diretor nacional e atual ministro da Administração Interna, Luís Neves.
Luís Neves está novamente no centro da polémica. O atual ministro da Administração Interna vai ser julgado no Tribunal de Contas por infrações financeiras cometidas quando era diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ), num caso relacionado com contratos públicos que, segundo o tribunal, não cumpriram as regras da contratação pública.
O movimento de professores Missão Escola Pública (MEP) considerou hoje que será "praticamente impossível" concluir as reapreciações da 1.ª fase dos exames nacionais até sexta-feira, relatando casos de docentes convocados nos últimos dias.
O presidente do Chega considerou ontem que os dados sobre a dívida pública evidenciam uma "péssima gestão" do Governo, além de uma "enorme incompetência", e defendeu que este "é um dado que não deve ser desvalorizado".
O presidente do CHEGA, André Ventura, afirmou que os responsáveis pela invasão do seu gabinete devem ser afastados "da Assembleia da República e da vida política".
O Presidente do CHEGA voltou a pedir a demissão do ministro da Administração Interna e a intervenção do Presidente da República, considerando que as polémicas com Luís Neves estão a levar a uma "degradação da autoridade do Estado".
A escolha é entre André Ventura, do CHEGA, e Luís Montenegro, do PSD. Para os inquiridos da última sondagem da Aximage, André Ventura ocupa o primeiro lugar no pódio, com 44% dos inquiridos a considerá-lo o Líder da direita em Portugal. Em segundo lugar surge Luís Montenegro, atual Primeiro-ministro, com 43% dos votos.
O CHEGA questionou hoje a ministra da Justiça sobre as razões para que o material químico apreendido pela Polícia Judiciária que estava no atrelado guardado por uma empresa de construção civil de Barcelos não ter sido destruído.
É a André Ventura que os inquiridos da sondagem da Aximage atribuem o título de principal figura da oposição ao Governo em Portugal.