CHEGA acusa Montenegro de perder “controlo da situação” sobre Luís Neves

O CHEGA defendeu ontem que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, "perdeu por completo o controlo da situação" relativa ao ministro da Administração Interna e insistiu na saída de Luís Neves do cargo.

© Folha Nacional

“Só num governo muito disfuncional e desequilibrado é que uma ministra da Justiça pode ordenar uma investigação/auditoria ao trabalho de um colega que se mantém em funções e isso ser visto como normal ou regular. Não é, nem nunca poderia ser, mas evidencia como o primeiro-ministro Luís Montenegro perdeu por completo o controlo da situação”, pode ler-se num comunicado.

O Ministério da Justiça (MJ) liderado por Rita Alarcão Júdice ordenou uma auditoria interna à Polícia Judiciária (PJ) na sequência das notícias sobre o funcionamento desta polícia no mandato do ex-diretor nacional e atual ministro da Administração Interna.

O CHEGA referiu ainda desconhecer o objetivo do governo com a auditoria, questionando se pretende “condicionar uma futura comissão de inquérito parlamentar ou até anulá-la”.

“Mas uma averiguação do governo não pode de maneira nenhuma substituir uma investigação parlamentar independente, sobretudo num caso gravíssimo como este”, pode ler-se.

O CHEGA já formalizou requerimento para que o Parlamento constitua uma comissão parlamentar de inquérito aos mandatos de Luís Neves enquanto diretor nacional da Polícia Judiciária, entre 2018 e este ano.

Numa nota de imprensa assinada pela direção nacional e pelo ‘governo sombra’, o CHEGA insistiu na saída de Luís Neves do Governo e sublinhou que os alegados novos dados conhecidos hoje “transportam esta realidade para um novo patamar de absoluta incompatibilidade ética”.

“As suspeitas de contratação favorecida, pelo atual ministro da Administração Interna, à ConstruBarcelos ou à empresa a ela associada, expõe um novo emaranhado a que o primeiro-ministro não poderá ficar indiferente”, reiterou.

O CHEGA salientou ainda que “o envolvimento, também hoje conhecido, do diretor financeiro da PJ, que teria também autorizado o polémico e ilegal transporte do atrelado com produtos químicos para a produção de estupefacientes, é mais uma machadada na reputação” desta polícia.

“Esta teia de cumplicidades coloca em crise a credibilidade e a integridade de um governo que, se nada fizer, se torna cúmplice da situação”, frisou.

Numa notícia divulgada ontem pela TVI/CNN Portugal/Nascer do Sol, é referido que a Construbarcelos, empresa do empreiteiro e amigo de Luís Neves, terá também realizado obras na casa de Álvaro Pires, diretor financeiro da PJ.

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