Multa de 6.000 euros para médicos condenados por morte de recém-nascido no Porto

Dois médicos foram condenados a pagar uma multa de seis mil euros, cada um, pela morte de um recém-nascido cerca de cinco horas após o parto no Centro Materno Infantil do Norte, segundo uma sentença consultada hoje pela Lusa.

© D.R.

A sentença determinada pelo Tribunal do Porto foi agora confirmada pelo Tribunal da Relação, num acórdão datado de 03 de dezembro, que negou provimento aos recursos interpostos pelos arguidos.

Em 21 de fevereiro de 2025, os dois arguidos, médicos obstetras, foram condenados pela prática de um crime de homicídio por negligência, cada um, na pena de 200 dias de multa à taxa diária de 30 euros, o que perfaz a multa de seis mil euros.

O processo tinha ainda um terceiro arguido, entretanto falecido, que era o chefe de equipa de urgência de obstetrícia que acompanhou a assistente nas últimas horas até ao nascimento da criança.

O tribunal deu como provado que ao longo do trabalho de parto da assistente, os arguidos agiram “de forma contrária às ‘leges artis'”, revelando “uma atitude de menosprezo pelos sinais contínuos e crescentes da intranquilidade fetal e optando por uma via que veio a ser causa do seu sofrimento e subsequente morte”.

Os factos dados como provados referem que a assistente entrou na unidade hospitalar a 20 de março de 2017, às 09h36, para indução de trabalho de parto, tendo ficado sob monitorização. A parturiente, então com 33 anos, estava grávida pela primeira vez e contava com 40 semanas e cinco dias de gestação.

No dia 21 de março, às 08h30, quando entrou ao serviço a equipa de urgência de obstétrica e ginecologia que era constituída pelos arguidos, o bebé apresentava sinais de que não estava a receber oxigénio suficiente.

Nesta situação, segundo o tribunal, impunha-se a imediata interrupção do trabalho de parto com a extração do feto por cesariana, o que só veio a acontecer cinco horas mais tarde, tendo às 13h54 ocorrido o nascimento de feto do sexo masculino, sem malformações.

O acórdão refere ainda que o recém-nascido nasceu em paragem cardiorrespiratória, tendo sido efetuada intubação orotraqueal e adrenalina intracardíaca, o que originou o início da frequência cardíaca, e depois foi transferido para os cuidados intensivos, onde foi realizada um ecografia transfontanelar, que revelou a existência de um edema cerebral grave.

Dada a gravidade do estado de saúde do bebé e tendo em conta que as hipóteses de sobrevivência eram nulas, a assistente e o progenitor anuíram na indicação dos médicos para que fossem cessados os cuidados médicos, tendo o óbito do bebé vindo a ocorrer às 18h30.

O tribunal sustenta que os arguidos poderiam e deveriam ter antecipado a realização da cesariana, terminando o trabalho de parto, concluindo que essa atuação “com toda a probabilidade teria evitado a morte do bebé”.

“Os arguidos ao decidirem pela não realização atempada da cesariana potenciaram o risco de produção do resultado danoso tipicamente previsto, tendo sido precisamente no desenvolvimento desse risco potenciado que veio a ocorrer a morte do recém-nascido”, refere o acórdão.

Últimas do País

André Ventura acusa Luís Neves de “prepotência e incapacidade de lidar com a verdade” e coloca a responsabilidade pela resolução do caso nas mãos de Luís Montenegro. O presidente do CHEGA alerta que, enquanto o primeiro-ministro não intervier, “a infeção deste Governo será cada vez maior”.
Três trabalhadores morreram hoje num acidente laboral num reservatório de água de uma habitação na Quinta do Lago, no concelho de Loulé, distrito de Faro, disseram à Lusa fontes da GNR e da Proteção Civil.
Cerca de 150 dirigentes associativos do setor agroflorestal concentraram-se esta segunda-feira junto à Assembleia da República, em Lisboa, para exigir ao Governo 140 milhões de euros em apoios que permitam enfrentar o aumento dos custos de produção e recuperar a competitividade face a Espanha. A resposta do ministro da Agricultura aponta para 2027, ano em que estarão disponíveis mais de 162 milhões de euros para apoiar o setor.
“Alguma coisa não está certa com Luís Neves”, afirmou o presidente do CHEGA, numa altura em que a imprensa aponta divergências relacionadas com o Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal como possível motivo para a saída de Ricardo Carrilho.
“É uma injustiça fiscal!” André Ventura acusa o Governo de sufocar os agricultores portugueses com impostos e combustíveis caros, enquanto Espanha disponibiliza apoios 40 vezes superiores.
A GNR registou 193 crimes de burla por falso funcionário, com recurso à usurpação de identidade de forças de segurança e órgãos de polícia criminal, entre janeiro de 2024 e 31 de maio de 2026.
Hugo Dias, um homem de 47 anos em situação de sem-abrigo, morreu após ser agredido a murro e pontapé em Almada. O Tribunal da Relação condenou os dois envolvidos a penas de prisão suspensas, apesar do desfecho fatal.
Emails associados ao processo das gémeas luso-brasileiras revelam a intervenção do presidente do Infarmed, que terá encaminhado um pedido para responsáveis do Hospital de Santa Maria.
Um homem de 35 anos, procurado pela Justiça marroquina por suspeitas de integrar uma rede criminosa dedicada à imigração ilegal, foi extraditado de Portugal para Marrocos. O suspeito, detido em Cascais pela Polícia Judiciária, terá participado num esquema que cobrava elevadas quantias para facilitar a entrada irregular de pessoas em Espanha.
Milhares de crianças e jovens com necessidades educativas especiais estão em risco de ficar sem apoio especializado, pois os Centros de Recursos para a Inclusão (CRI) continuam sem saber qual será o financiamento para o ano letivo.