Imprensa vendida

A comunicação social tornou-se, hoje, o maior obstáculo às reformas profundas de que Portugal precisa e a mais devota linha de defesa das elites económicas, dos grupos de interesse e dos esquemas de favorecimento que há cinco décadas saqueiam o país, exploram os portugueses e perpetuam uma pobreza estrutural que corrói qualquer possibilidade de progresso nacional. Nada disto aconteceu por acaso, mas é fruto de uma escolha consciente, reiterada e lucrativa, feita por quem decidiu abandonar a verdade para servir o poder.

Como é claro para qualquer pessoa que tenha o mínimo de pensamento crítico e memória histórica, especialmente nos últimos dez anos, a comunicação social deixou de ser um pilar da democracia para se transformar num instrumento de manipulação, funcionando como escudo protector de vícios instalados, de compadrios obscenos e de redes que vivem à custa do esforço de quem trabalha. Em vez de escrutinar, normaliza. Em vez de denunciar, silencia. Em vez de informar, fabrica narrativas cuidadosamente alinhadas com os interesses dos seus financiadores e aliados políticos.

Vendida aos partidos do sistema e a determinados grupos económicos, a comunicação social já não se preocupa em reportar com objectividade, narrar com isenção ou informar com rectidão. Muito pelo contrário, o seu principal, e porventura único, objectivo passou a ser condicionar a opinião pública, proteger os donos do regime e atacar ferozmente todos aqueles que ousam desafiar o consenso podre que mantém o país estagnado e dependente.

Esta comunicação social prostituída não erra por ignorância, mas por conveniência. Não mente por lapso, mas por cálculo. Não omite por desconhecimento, mas por estratégia. Não difama por descuido, mas por ordem. Eu tudo o que faz, age como polícia ideológica do regime, perseguindo quem quer mudança real, castigando quem não entre nos jogos podres, apagando quem não a contempla com adjudicações directas e promovendo quem garante a continuidade do saque. Mais que uma vergonha nacional, é um atentado à verdade e um insulto à inteligência dos portugueses.

Enquanto o povo empobrece, esta imprensa falsa e vendida prospera, alimentando-se do medo, da distorção e da mentira, sempre pronta a servir os mesmos senhores que há décadas bloqueiam Portugal. Mas, o que parece esquecer é que nenhuma fraude dura para sempre e que o dia da responsabilização se aproxima. Quer gostem ou não, o país não continuará para sempre refém eterno de jornalistas sem coragem e de redações sem honra.

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