Um em cada 10 utilizadores de canábis entre 13 e 18 anos consome diariamente

Um em cada dez jovens utilizadores de canábis entre os 13 e os 18 anos consome diariamente, segundo dados oficiais hoje divulgados que, ainda assim, apontam para uma diminuição geral no consumo de drogas.

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O Sumário Executivo dos Relatórios Anuais para 2024 do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD), que agrega informação de inquéritos e barómetros feitos nos últimos anos em Portugal e na Europa sobre consumos e dependências e que é hoje apresentado na Assembleia da República, revela consumos diários de canábis para 10% dos consumidores entre os 13 e os 18 anos.

“O consumo atual de canábis nos 13-18 anos foi de 3% e um em cada dez consumidores atuais de canábis tinha um padrão de consumo diário ou quase diário. O consumo de substâncias ilícitas tende a aumentar em função da idade, sendo as subidas mais acentuadas a partir dos 15 anos”, segundo o Estudo sobre o Consumo de Álcool, Tabaco e Droga e outros Comportamentos Aditivos e Dependências, 2024.

O estudo aponta para uma “descida acentuada” nos consumos de qualquer droga para esta faixa etária entre 2019 e 2024, “quer ao nível da experimentação (de 15% para 8%), como do consumo recente (13% para 6%)”.

Também o ‘V Inquérito Nacional ao Consumo de Substâncias Psicoativas na População Geral, Portugal 2022’, realizado junto da população residente em Portugal entre os 15 e os 74 anos, aponta uma tendência semelhante, revelando que “entre 2017 e 2022 houve descidas relevantes do consumo recente e atual de qualquer droga, devido à diminuição do consumo de canábis, mantendo-se o consumo recente e atual das outras substâncias, de um modo geral, estável na população total e, estável ou com ligeiras subidas nos 15-34 anos”.

O ICAD aponta que, face às descidas no consumo de canábis, “seria expectável” uma diminuição da prevalência de consumos abusivos, o que não só não se verificou para a população em geral, mantendo-se sem alterações o consumo de risco moderado e elevado, como se agravou entre os jovens, “em particular nos 15-24 anos (0,2%, 0,7% e 1,3%, em 2012, 2017 e 2022)”.

Um inquérito a jovens de 18 anos realizado em 2024 no Dia da Defesa Nacional revelou que cerca de 26% dos inquiridos já tinham consumido canábis em algum momento, cerca de 21% no último ano e 12% nos últimos 30 dias, percentagens de prevalência de consumo que são mais do dobro das de outras drogas, como ecstasy ou cocaína.

“Quanto a consumos atuais mais intensivos, 2% dos inquiridos (23% dos consumidores) tinham um consumo diário de canábis, existindo também o consumo recente de várias substâncias psicoativas na mesma ocasião, em particular de canábis com álcool (6% dos inquiridos e 32% dos consumidores)”, revelou ainda esse inquérito.

Ainda entre os consumidores mais jovens, outro estudo de 2022, centrado no ensino superior, apontava para 2% dos inquiridos com consumos diários de canábis, “existindo também a prática de consumo de várias substâncias psicoativas na mesma ocasião, em particular de canábis com álcool”.

Associados ao consumo de drogas, estes estudantes reportaram problemas relacionados com o rendimento escolar ou no trabalho, problemas com os amigos, de comportamento na família e as relações sexuais sem preservativo.

Num Eurobarómetro de 2024 à população geral com 15 anos ou mais sobre os impactos dos consumos na comunidade, os portugueses foram os que mais apontaram a questão como um problema muito grave ou grave (68% de portugueses face à media da União Europeia de 39%), associando-lhe problemas de saúde (mais doenças infecciosas, mortes e overdoses), acidentes de viação, consumo de crianças e adolescentes, entre outros.

Apesar disso, fizeram “uma avaliação mais positiva sobre a evolução nos últimos anos dos problemas causados pelas drogas (incluindo o consumo e tráfico de drogas) na sua comunidade, com 22% a afirmarem que os problemas aumentaram, 18% que diminuíram e 52% que não houve alterações”.

Os dados apontam ainda para um esbatimento das diferenças de género nos consumos, ainda que a prevalência se mantenha superior nos rapazes.

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