Ventura encosta o Governo à parede: “Olhem os portugueses nos olhos e admitam que falharam!”

André Ventura acusou o Governo de falhar às populações afetadas pelas tempestades e exigiu isenção imediata de IMI, rapidez nos apoios e um pedido público de desculpas. “Persistir no erro é que não fica bem”, atirou.

© Folha Nacional

“O que está em causa é a responsabilidade do Estado nos momentos mais importantes da vida das pessoas.”

Foi com esta afirmação que o presidente do CHEGA, André Ventura, abriu esta quarta-feira a sua intervenção no plenário da Assembleia da República, durante o debate sobre medidas excecionais de apoio na sequência das tempestades de 2026, acusando o Governo e os partidos à esquerda de incoerência e falta de ação.

Para Ventura, a resposta pública tem de ser célere e eficaz, sobretudo em contextos de calamidade, sob pena de o Estado falhar precisamente quando os cidadãos mais precisam.

O líder do segundo maior partido evocou as sucessivas crises enfrentadas pelo país — dos incêndios de 2017 à pandemia de covid-19, passando pelas cheias na Grande Lisboa e no Porto — para sustentar que Portugal tem vivido “uma sucessão de calamidades” sem que tenham sido implementadas respostas estruturais duradouras.

“Onde estavam quando o país precisava?”

A pergunta foi dirigida ao Bloco de Esquerda e à CDU, que acusou de incoerência política. Ventura criticou o facto de defenderem agora medidas de apoio e isenções de IMI, quando, segundo afirmou, votaram contra propostas de descida daquele imposto no passado.

“Não podemos aceitar esta hipocrisia”, declarou, numa referência ao período da chamada “geringonça”, que classificou como uma fase de “muito discurso e pouca coerência”.

O presidente do CHEGA questionou ainda a deputada Paula Santos, da CDU, sobre a posição do partido relativamente a projetos que previam a criação de um subsídio de risco para bombeiros, iniciativas que mereceram a abstenção comunista.

Entre as medidas defendidas pelo CHEGA está a isenção de IMI nas zonas afetadas pelas tempestades. “Não é uma graça nem uma esmola. É o mínimo da dignidade”, afirmou.

Ventura insistiu que as populações não podem continuar a suportar encargos fiscais como se nada tivesse acontecido e exigiu maior rapidez na criação e operacionalização de fundos de apoio, com particular enfoque no setor agrícola, um dos mais afetados.

O líder partidário apontou também críticas ao PSD e ao Governo, acusando-os de se limitarem a apresentar “powerpoints” em vez de soluções concretas.

“O país atravessou uma das maiores crises da sua história recente e o Governo não respondeu com medidas adequadas.”

Defendendo que é tempo de assumir responsabilidades, concluiu: “Olhem os portugueses nos olhos, admitam que erraram e peçam desculpa. Não fica mal reconhecer falhas. Fica mal é persistir no erro.”

Últimas de Política Nacional

O Livre tentou impedir André Ventura de presidir à comissão parlamentar de inquérito à atuação de Luís Neves, alegando um possível conflito de interesses relacionado com o assalto ao gabinete do líder do CHEGA. O pedido foi dirigido ao presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, que rejeitou os argumentos apresentados e não identificou qualquer impedimento legal.
André Ventura anunciou, esta sexta-feira, a recandidatura à liderança do CHEGA, durante o Conselho Nacional do partido, em Lisboa. Perante uma estrutura que afirma ter atingido os 100 mil militantes, garantiu que o CHEGA será o maior partido do país, atacou os interesses instalados e deixou um aviso: “Quem nos vai travar? Bruxelas? A imprensa? Não! Só nós nos podemos travar!”
André Ventura acusou esta sexta-feira Luís Montenegro de transformar a cobrança de impostos numa prioridade do Governo, enquanto as famílias enfrentam despesas cada vez mais difíceis de suportar. No Parlamento, o presidente do CHEGA denunciou uma receita fiscal recorde, criticou a manutenção do IVA dos combustíveis e das portagens e acusou o primeiro-ministro de se "rir da pobreza dos portugueses".
André Ventura acusou esta quinta-feira PS e PSD de bloquearem a investigação parlamentar aos mandatos de Luís Neves à frente da Polícia Judiciária. No debate de urgência na Assembleia da República, o presidente do CHEGA apontou diretamente a Aguiar-Branco e denunciou aquilo que considera ser uma tentativa de proteger o atual ministro da Administração Interna do escrutínio parlamentar.
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) a Luís Neves toma posse no dia 14, mas o entendimento parlamentar que limita a duas as CPI em funcionamento pode travar o arranque dos trabalhos. Ventura contesta uma regra que não está "nem na lei nem na Constituição".
PS e PSD chegaram a um entendimento para que os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito aos mandatos de Luís Neves sejam suspensos enquanto estiverem em funcionamento outras duas comissões de inquérito. A solução adia, na prática, o arranque pleno da investigação parlamentar pretendida pelo CHEGA à atuação de Luís Neves enquanto diretor nacional da Polícia Judiciária.
André Ventura acusou esta terça-feira o presidente da Assembleia da República de estar a atrasar a Comissão Parlamentar de Inquérito aos mandatos de Luís Neves na Polícia Judiciária. O líder do CHEGA diz que o partido já aceitou sucessivas limitações e desafia Aguiar-Branco a explicar por que razão a comissão ainda não avançou.
André Ventura anunciou este sábado, em Coimbra, que vai assumir pessoalmente a presidência da Comissão Parlamentar de Inquérito aos mandatos de Luís Neves na Polícia Judiciária. Líder do CHEGA promete uma investigação “até ao fim”, garante que não haverá bloqueios aos restantes partidos e deixa um aviso: “Não deixarei que Luís Neves, nem outros Luís Neves, sejam bloqueadores da verdade.”
André Ventura criticou a decisão de José Luís Carneiro de propor a abstenção do PS no Orçamento do Estado para 2027 antes de ser conhecido o documento. O Presidente do CHEGA considera que os socialistas passam a ser "parceiros" do Governo e questiona que margem resta para negociar medidas em áreas como Saúde, Administração Interna, combustíveis e alimentação.
A Comissão parlamentar vai analisar a atuação de Luís Neves durante os oito anos em que dirigiu a Polícia Judiciária e apurar eventuais responsabilidades dos membros dos governos que o nomearam e tutelaram. O CHEGA fica com a presidência, enquanto PS e PSD assumem as duas vice-presidências.