Ministro da agricultura tem duas casas em Lisboa mas recebe subsídio de alojamento do Governo

José Manuel Fernandes tem dois imóveis na capital e mais de 43 mil euros anuais em rendimentos prediais, mas recebe 724 euros por mês de subsídio de alojamento. É um dos 19 governantes abrangidos por uma regra de 1980 que continua a permitir compensações mesmo a quem já tem casa em Lisboa.

© MARCOS BORGA/LUSA

Há membros do Governo a receber subsídio de alojamento para exercer funções em Lisboa mesmo sendo proprietários de imóveis na capital. O valor é fixo: cerca de 724 euros mensais. A lei permite-o. Mas há casos que se destacam.

Segundo revelou a revista Sábado, esta terça-feira, o ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, declarou ser proprietário de duas casas em Lisboa, situadas no Lumiar e nas Avenidas Novas, ambas arrendadas. Na mesma declaração constam ainda 43.660 euros de rendimentos prediais num só ano.

Apesar disso, o governante recebe o subsídio de alojamento destinado a membros do Governo cuja residência permanente se situe a mais de 150 quilómetros da capital.

Contactado pela Sábado, José Manuel Fernandes esclareceu que a sua residência habitual se mantém em Vila Verde, Braga, onde está organizada a sua vida familiar e doméstica. Sublinhou ainda que os imóveis em Lisboa se encontram arrendados e, por isso, indisponíveis para sua habitação, acrescentando que suporta encargos com arrendamento na capital enquanto exerce funções governativas.

O subsídio em causa tem por base um decreto-lei de 1980, que prevê a atribuição de compensação aos membros do Governo cuja residência permanente diste mais de 150 quilómetros de Lisboa.

O cálculo é simples: 65,89 euros por dia (valor correspondente às ajudas de custo para cargos superiores da Administração Pública) multiplicado por 22 dias úteis e dividido por dois. O resultado ronda os 724 euros mensais.

A questão central reside no conceito de ‘habitação permanente’. Um parecer jurídico emitido em março de 2025 esclarece que a aquisição de imóvel em Lisboa não implica, por si só, a alteração da residência permanente do governante. Assim, mesmo que compre casa na capital para facilitar o exercício de funções, pode manter oficialmente a residência na cidade de origem e continuar a auferir o subsídio.

Este entendimento apoia-se num parecer anterior da Procuradoria-Geral da República, segundo o qual residir em Lisboa, seja em casa própria, arrendada ou cedida, não significa necessariamente transferir a residência habitual.

Foi essa a interpretação aplicada, por exemplo, ao secretário de Estado Pedro Machado, que adquiriu habitação em Lisboa e viu confirmado o direito ao subsídio por manter residência permanente em Coimbra.

Quem mais recebe?

No total, 19 membros do Governo requereram apoio ao alojamento. Alguns não têm imóveis declarados em Lisboa. Outros têm e continuam a receber.

É o caso de Salvador Malheiro, secretário de Estado das Pescas e do Mar, coproprietário de um imóvel na capital onde residem familiares. Mantém, contudo, residência fiscal em Ovar, a mais de 150 quilómetros de Lisboa, acumulando igualmente o subsídio.

Existem ainda situações de governantes que vivem em imóveis cedidos por familiares, em regime de comodato, sem pagamento de renda, mas que beneficiam na mesma da compensação.

A Entidade para a Transparência recorda que os titulares de cargos públicos devem declarar não apenas os imóveis de que são proprietários, mas também aqueles que utilizam enquanto arrendatários, comodatários ou detentores. Em alguns casos, essas informações não constam das declarações públicas disponíveis.

Últimas de Política Nacional

O Livre tentou impedir André Ventura de presidir à comissão parlamentar de inquérito à atuação de Luís Neves, alegando um possível conflito de interesses relacionado com o assalto ao gabinete do líder do CHEGA. O pedido foi dirigido ao presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, que rejeitou os argumentos apresentados e não identificou qualquer impedimento legal.
André Ventura anunciou, esta sexta-feira, a recandidatura à liderança do CHEGA, durante o Conselho Nacional do partido, em Lisboa. Perante uma estrutura que afirma ter atingido os 100 mil militantes, garantiu que o CHEGA será o maior partido do país, atacou os interesses instalados e deixou um aviso: “Quem nos vai travar? Bruxelas? A imprensa? Não! Só nós nos podemos travar!”
André Ventura acusou esta sexta-feira Luís Montenegro de transformar a cobrança de impostos numa prioridade do Governo, enquanto as famílias enfrentam despesas cada vez mais difíceis de suportar. No Parlamento, o presidente do CHEGA denunciou uma receita fiscal recorde, criticou a manutenção do IVA dos combustíveis e das portagens e acusou o primeiro-ministro de se "rir da pobreza dos portugueses".
André Ventura acusou esta quinta-feira PS e PSD de bloquearem a investigação parlamentar aos mandatos de Luís Neves à frente da Polícia Judiciária. No debate de urgência na Assembleia da República, o presidente do CHEGA apontou diretamente a Aguiar-Branco e denunciou aquilo que considera ser uma tentativa de proteger o atual ministro da Administração Interna do escrutínio parlamentar.
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) a Luís Neves toma posse no dia 14, mas o entendimento parlamentar que limita a duas as CPI em funcionamento pode travar o arranque dos trabalhos. Ventura contesta uma regra que não está "nem na lei nem na Constituição".
PS e PSD chegaram a um entendimento para que os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito aos mandatos de Luís Neves sejam suspensos enquanto estiverem em funcionamento outras duas comissões de inquérito. A solução adia, na prática, o arranque pleno da investigação parlamentar pretendida pelo CHEGA à atuação de Luís Neves enquanto diretor nacional da Polícia Judiciária.
André Ventura acusou esta terça-feira o presidente da Assembleia da República de estar a atrasar a Comissão Parlamentar de Inquérito aos mandatos de Luís Neves na Polícia Judiciária. O líder do CHEGA diz que o partido já aceitou sucessivas limitações e desafia Aguiar-Branco a explicar por que razão a comissão ainda não avançou.
André Ventura anunciou este sábado, em Coimbra, que vai assumir pessoalmente a presidência da Comissão Parlamentar de Inquérito aos mandatos de Luís Neves na Polícia Judiciária. Líder do CHEGA promete uma investigação “até ao fim”, garante que não haverá bloqueios aos restantes partidos e deixa um aviso: “Não deixarei que Luís Neves, nem outros Luís Neves, sejam bloqueadores da verdade.”
André Ventura criticou a decisão de José Luís Carneiro de propor a abstenção do PS no Orçamento do Estado para 2027 antes de ser conhecido o documento. O Presidente do CHEGA considera que os socialistas passam a ser "parceiros" do Governo e questiona que margem resta para negociar medidas em áreas como Saúde, Administração Interna, combustíveis e alimentação.
A Comissão parlamentar vai analisar a atuação de Luís Neves durante os oito anos em que dirigiu a Polícia Judiciária e apurar eventuais responsabilidades dos membros dos governos que o nomearam e tutelaram. O CHEGA fica com a presidência, enquanto PS e PSD assumem as duas vice-presidências.