Mais de 500 pessoas em protesto contra fecho da urgência de Obstetrícia do Barreiro

Mais de 500 pessoas, incluindo utilizadores, médicos e autarcas, protestaram hoje contra o encerramento da urgência de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital do Barreiro decidida pelo Governo.

© D.R.

  “Nós não vamos permitir que este serviço encerre. A senhora ministra [da Saúde] Ana Paula Martins não pode decidir livremente, sem consultar os autarcas, sem consultar as comissões de usuários, sem consultar os bombeiros, até porque o Hospital do Barreiro teve obras de dois milhões de euros, está apetrechado, tem condições”, disse a jornalista Antonieta Fortunato, da Comissão de Utentes dos Serviços Públicos do Barreiro.

 “Com esta mancha humana que vivemos aqui hoje, ainda estamos convencidos de que Ana Paula Martins volte atrás, porque o Hospital Garcia de Horta não tem condições para receber todas estas grávidas que vão chegar. Não tem condições quer de meios humanos, quer de instalações”, declarou.

  Inconformado com a decisão do governo de encerrar a urgência de obstetrícia, o presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Frederico Rosa (PS), adiantou que as autarcas da região deslocar-se-ão já na segunda-feira ao Ministério da Saúde, para serem ouvidos.

   “Ontem [sábado] realizamos uma reunião extraordinária da Comunidade Intermunicipal (CIM) da Península de Setúbal, com os nove presidentes. E vamos estar os nove, amanhã [segunda-feira], às 08h30, no Ministério da Saúde”, anunciou a autarca do Barreiro.

   “A senhora ministra da Saúde há sete meses que não nos responde a ofícios. Marca reuniões, remarca e remarca. E vem dizer para o parlamento que já falou e articulou connosco. Por isso, vamos todos, de viva-voz, dar a cara, olhos nos olhos, mostrar à senhora ministra, que estes são os autarcas, com os disse que falou, mas nunca falou. Se calhar nem nos conhece”, disse Frederico Rosa, convencido de que a grande participação no protesto deste domingo reforça a posição das autarcas da Península de Setúbal.

 Segundo Frederico Rosa, a decisão do Governo de concentrar a urgência de Obstetrícia no Hospital Garcia de Orta, em Almada, não vai resolver nenhum problema e “vai lançar ainda mais o caos”, em todos os hospitais da região, designadamente nos do Barreiro, de Setúbal, de Santiago do Cacém e no próprio Hospital Garcia de Orta.  

 “Vamos ter os nossos bombeiros comprometidos nestas viagens sem sentido. Não custa nada nós percebemos que, vamos ter cada vez mais partos em ambulâncias, em condições difíceis para grávidas e bebés. Não é isto que nós queremos”, frisou.

   Para André Gomes, presidente da Comissão Executiva da Federação Nacional dos Médicos (Fnam), a presença de muitas centenas de pessoas no protesto “demonstra a justiça daquilo que é uma afirmação da Fnam, de que esta é uma legislação profundamente injusta para os usuários do Barreiro, de Alcochete, da Moita, da Península de Setúbal, de Vila Franca, de Loures, de todo o país. e chegará à ortopedia, chegará à cirurgia, degradando aquilo que são os serviços públicos”.

   “O que não é válido é pensar-se que, por concentrar tudo em Almada, vão florescer médicos nesses serviços. Esse é que é um pensamento profundamente errado da parte do Governo. Não é por concentrarmos os serviços em Almada que os obstetras vão aparecer milagrosamente. Têm de ser tomadas medidas de reforço dos apoios, reforço das equipas, para que estes serviços possam reabrir”, defendeu.

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