Hábitos alimentares causaram 7,9% das mortes em Portugal em 2023

Os hábitos alimentares inadequados estão associados a 7,9% das mortes em Portugal, em 2023, e a 5,3% dos anos de vida saudável perdidos, figurando entre os cinco fatores de risco que mais contribuíram para a carga de doença no país.

© D.R.

Os dados são do relatório Global Burden of Disease Study (GBD), divulgados hoje pela Direção-Geral da Saúde (DGS), que assinala o Dia Mundial da Obesidade com a publicação do “Manual de Mudança Comportamental no Tratamento da Obesidade”, que reúne estratégias estruturadas para apoiar a mudança de comportamentos alimentares e de atividade física.

Segundo o relatório, o elevado consumo de carne vermelha, carnes processadas e sal, bem como o insuficiente consumo de cereais integrais, hortícolas e frutos oleaginosos, foram os comportamentos alimentares inadequados que mais contribuíram para que os portugueses vivessem menos anos com saúde em 2023.

Já o baixo consumo de cereais integrais é o fator de risco alimentar que mais contribuiu para a carga da doença, tanto em termos de mortalidade como de anos de vida não saudável (DALYs), evidenciando a importância da qualidade das fontes de hidratos de carbono na promoção da saúde.

No conjunto dos fatores de risco que contribuem para a carga da doença em Portugal, os fatores metabólicos, como a glicemia plasmática elevada, o índice de massa corporal (IMC) elevado e a hipertensão arterial, já ultrapassam o contributo dos hábitos alimentares inadequados.

“Este facto sugere que as alterações metabólicas potencialmente associadas a padrões alimentares inadequados, já assumem um contributo mais significativo na carga global da doença”, sublinha o relatório.

Em particular, o excesso de peso tem vindo a subir posições entre os fatores de risco que mais contribuem para a carga da doença em Portugal: Em 2023, ocupava a 2.ª posição no total de DALYs (8,2%) e a 3.ª posição no total de mortes (8,6%).

Adicionalmente, foi o 2.º fator de risco com maior crescimento no período em análise (2010–2023), registando um aumento de 9% no total de DALYs e de 8% no total de mortes.

“Nestes últimos 20 anos verificou-se um aumento de 23% no contributo do excesso de peso para a perda de anos de vida saudável e de 22% para o total de mortes associadas ao IMC elevado. Ainda assim, o ritmo de crescimento abrandou na última década (2010-2023)”, destaca a DGS em comunicado.

Relativamente à evolução temporal, os dados de 2010 a 2023 confirmam a tendência já observada entre 2000 e 2021, evidenciando um aumento do impacto associado ao elevado consumo de bebidas açucaradas e de carne processada, bem como ao baixo consumo de hortícolas.

“Estes dados reforçam a relevância das medidas de saúde pública que a Direção-Geral da Saúde tem vindo a apoiar tecnicamente ao longo dos últimos anos, em matéria de promoção da alimentação saudável e prevenção da obesidade”, lê-se no documento.

O GBD Study é um estudo internacional que recolhe informação proveniente de 204 países, cujo objetivo é fornecer informações sobre as doenças e os fatores de risco que mais contribuem para a mortalidade e para a perda de anos de vida saudável.

O estudo é coordenado pelo Institute for Health Metrics and Evaluation da Universidade de Washington e conta com a colaboração da DGS.

O manual publicado pela DGS inclui ferramentas práticas dirigidas a serviços e profissionais de saúde, nomeadamente guias de aconselhamento e ferramentas de automonitorização comportamental.

Este documento dá resposta ao Roteiro de Ação para Acelerar a Ações de Prevenção e ao Controlo da Obesidade e ao Percurso de Cuidados Integrados para a Pessoa com Obesidade, publicados pela DGS em 2025.

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