PCC espalha-se em Portugal: máfia brasileira instala-se e redes criminosas disparam

Entram discretamente, vivem em zonas de luxo, movimentam milhões e deixam um rasto de violência. O Primeiro Comando da Capital (PCC), uma das maiores organizações criminosas do mundo, está cada vez mais presente em Portugal e as autoridades já olham para o fenómeno com crescente preocupação.

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Com origem nas prisões brasileiras nos anos 90, após o massacre de Carandiru, o PCC evoluiu de uma organização de reclusos para uma rede internacional altamente estruturada, com ramificações na Europa. Hoje, Portugal surge como um dos principais pontos de apoio da organização fora do Brasil.

As estimativas apontam para cerca de 90 membros do PCC em território nacional, incluindo figuras de topo. Muitos chegam já integrados na estrutura e encontram em Portugal um ambiente favorável para operar, seja no tráfico de droga, seja no branqueamento de capitais.

A presença da organização não se limita ao submundo. Há suspeitas de investimentos em empresas, imóveis e até no futebol, utilizados para lavar dinheiro proveniente do narcotráfico.

Vida de luxo e crime internacional

Um dos casos mais mediáticos é o de Ygor Daniel Zago, conhecido como “Hulk”, considerado um dos principais traficantes brasileiros e figura relevante do PCC na Europa.

Foi detido em Cascais, onde vivia numa mansão num condomínio privado, com uma renda mensal de cerca de 10 mil euros. A partir dali, alegadamente coordenava operações de tráfico entre o Brasil e a Europa.

Procurado internacionalmente e com ligações à cúpula do PCC, Zago terá usado estruturas empresariais para lavar milhões de euros. A sua detenção integrou uma operação internacional que levou à captura de dezenas de criminosos em vários países.

Mas não é caso único. Nos últimos anos, Portugal tem sido usado como base logística para redes transatlânticas de droga, muitas delas com ligações ao PCC e a outras máfias internacionais, como grupos dos Balcãs.

Violência à luz do dia

A presença do PCC também já se faz sentir nas ruas e com métodos violentos.

Em janeiro, na Charneca da Caparica, no distrito de Setúbal, um ataque com metralhadoras em plena luz do dia deixou marcas de bala num carro de alta cilindrada. O condutor escapou por pouco. Horas depois, dois carros usados no ataque foram encontrados queimados, numa tentativa de eliminar provas.

As autoridades acreditam que se tratou de um ajuste de contas ligado ao tráfico de droga, com ligações ao PCC.

Este tipo de violência, típico de organizações altamente organizadas, é um sinal claro de que o grupo não se limita a operar nos bastidores.

Vidas em jogo

Dentro do PCC, a disciplina é rígida e a hierarquia respeitada. Há códigos internos, rituais de entrada e juramentos de fidelidade. Quem falha, paga… até com a própria vida.

A violação das regras internas é tratada como traição e pode resultar em execução. É este nível de controlo que permite ao grupo manter coesão e operar em vários países com eficácia.

As autoridades portuguesas não ignoram o risco de escalada. A combinação de crime económico, tráfico internacional e violência organizada coloca o PCC como uma das principais ameaças emergentes no país.

Portugal como porta de entrada para o crime

A posição geográfica, a integração na União Europeia e a facilidade de circulação tornam Portugal um ponto estratégico para estas redes criminosas.

Além disso, o uso de identidades europeias, como passaportes italianos ou espanhóis, facilita a entrada e permanência destes elementos no espaço Schengen.

Nos últimos anos, a Polícia Judiciária tem intensificado a cooperação internacional e já deteve vários fugitivos ligados ao PCC. Ainda assim, o fenómeno continua a crescer.

Portugal está assim cada vez mais integrado no mapa global da organização. E, como mostram os casos recentes, o que começa nas sombras pode rapidamente passar à vista de todos.

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