Furtos por carteiristas aumentaram em 2025

Os furtos por carteiristas aumentaram em 2025, com 7.443 ocorrências registadas, a maioria nos distritos de Lisboa e do Porto, segundo o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI).

© D.R.

O documento, que foi entregue esta terça-feira no parlamento, apresenta uma tabela com os 16 crimes mais frequentes em Portugal no ano passado, destacando-se pela negativa os mais de 25 mil registos de violência doméstica, os mais de 24 mil casos de agressões físicas e os quase 23 mil registos de condução sob o efeito do álcool.

O furto cometido por carteiristas surge em 15.º lugar dessa lista com 7.443 ocorrências registadas, mas está entre os oito crimes que aumentaram: As forças de segurança contabilizaram mais 533 crimes de furto por carteiristas em relação a 2024, um aumento de 7,7%.

É nos grandes centros urbanos e destinos turísticos que se regista a maioria dos casos, segundo o RASI, que explica que os carteiristas costumam atuar em zonas onde há muita gente, como transportes públicos, zonas históricas ou turísticas, “eventos de grande dimensão ou estabelecimentos de hotelaria e restauração”.

Quase metade destes furtos ocorreu no distrito de Lisboa (46%), mais concretamente na cidade de Lisboa, já que três em cada quatro crimes registados no distrito aconteceram na capital.

No distrito do Porto, as autoridades registaram 26% dos casos nacionais, seguindo-se Faro (7%) e Setúbal (5%).

Na Europa, este é um fenómeno habitualmente protagonizado por grupos organizados que se deslocam entre vários países “em função das oportunidades criminais associadas a fluxos turísticos e grandes eventos”, alerta o RASI.

Em Portugal também se nota uma “elevada especialização criminal”. O relatório refere que os carteiristas atuam em grupo com uma clara divisão de tarefas e “métodos de atuação consolidados” e dá como exemplo a “criação de distrações, bloqueio de movimentos da vítima ou rápida transferência do objeto subtraído entre elementos do grupo”.

Em média, as autoridades registam mensalmente 620 crimes de furto por carteiristas, sendo os meses de julho e dezembro os mais trabalhosos, com 676 e 670 crimes registados, respetivamente.

Em 2018 foi criada na PSP uma equipa dedicada ao combate aos furtos por carteiristas e criminalidade associada. A experiência acumulada destas equipas percebeu que este fenómeno tem vindo a adaptar-se, havendo já uma articulação com outros tipos de criminalidade patrimonial, como o uso fraudulento de cartões bancários das vítimas e outras burlas.

Segundo o RASI falam numa “evolução” que confirma a “crescente profissionalização e mobilidade internacional dos grupos”, que operam frequentemente em circuitos europeus associados a grandes eventos e períodos de maior afluência turística.

Reconhecendo o fenómeno transnacional dos carteiristas, a PSP tem reforçado a cooperação policial internacional no combate a este crime, lê-se no RASI, onde surgem exemplos de cooperação como a presença de polícias portuguesas no Oktoberfest, em Munique, ou o Campeonato Europeu de Futebol de 2024, na Alemanha.

Por outro lado, também Portugal tem recebido apoio de equipas estrangeiras, como aconteceu nas Jornadas Mundiais da Juventude, de 2023, ou nos Santos Populares de Lisboa.

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