Secretária de Estado escolhe filho de presidente hospitalar para cargo no gabinete da Saúde

O filho do presidente da Unidade Local de Saúde de Santo António, no Porto, entra no gabinete da Saúde com um salário superior a 4 mil euros mensais. A governante garante que “todas as nomeações foram norteadas pela competência”.

© ICBAS

A secretária de Estado da Saúde, Ana Povo, nomeou para o seu gabinete o filho do presidente da Unidade Local de Saúde de Santo António, no Porto, uma decisão que está a gerar polémica e a levantar dúvidas quanto aos critérios de escolha, avança o Correio da Manhã (CM).

João Pedro Ribeiro da Silva Barbosa Carvalho exerce funções de técnico especialista desde junho de 2024, auferindo um salário bruto mensal de 4.152 euros, valor fixado por lei para este tipo de funções.

A governante, que é médica na mesma unidade hospitalar — tendo o contrato suspenso enquanto integra o Executivo — assegura que a escolha assentou exclusivamente no mérito. “Todas as nomeações foram norteadas pela competência”, afirmou, acrescentando que o perfil do nomeado foi avaliado e validado após entrevista conduzida pelo então chefe de gabinete.

Ainda assim, o caso levanta questões adicionais. Segundo o CM, João Pedro Carvalho foi sócio de uma empresa do setor da saúde, a ML&JP — sigla correspondente a “Maria Luís & João Pedro”, nomes da sua mãe e do próprio. A participação na sociedade foi transmitida a um familiar em maio de 2024, cerca de um mês antes da nomeação.

Ana Povo garante que “nada foi ocultado” e que toda a informação relevante consta da nota curricular publicada no despacho oficial. Contudo, nos documentos divulgados surge apenas uma referência genérica à empresa, sem identificação completa da sua designação ou natureza jurídica.

De acordo com o próprio, a empresa nunca celebrou contratos com entidades públicas, nem se encontra envolvida em projetos com o Estado.

A nomeação foi reiterada em dois momentos distintos — em junho de 2024 e novamente em junho de 2025 — mantendo-se a mesma descrição curricular, o que reacende o debate sobre transparência, potenciais conflitos de interesse e critérios de recrutamento em gabinetes governamentais.

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