Idas às urgências baixaram no inverno mas aumentou peso dos casos urgentes

O número de episódios de urgência nos hospitais baixou no inverno 2025/2026, mas aumentou o peso dos casos realmente urgentes (pulseira amarela) e o tempo médio de permanência na urgência voltou a subir após descer em 2024/2025.

© LUSA/NUNO VEIGA

Os dados do relatório do Plano para a Resposta Sazonal em Saúde – Módulo inverno 2025/2026, a que a Lusa teve acesso, mostram que, entre novembro e o final de fevereiro, houve 1.846.060 episódios de urgência nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS), menos do que os 2.020.120 do inverno de 2024/2025, aquando da expansão dos projetos que incentivam o contacto prévio com a Linha SNS24.

O documento mostra que em 2025/2026 houve um “melhor encaminhamento dos doentes” para os serviços de urgência, o que resultou em menos episódios classificados como não urgentes.

Por outro lado, subiu a proporção de episódios classificados como urgentes, que no inverno 2025/2026 atingiram os 67% (63% em 24/25 e 23/24).

Neste inverno, em que a epidemia de gripe coincidiu com a vaga de frio, potenciando os problemas de saúde e as doenças respiratórias, especialmente nos idosos e nas crianças, o tempo médio de permanência nas urgências foi de 4,5 horas (275 minutos), mais três minutos do que em 2024/2025, mas mais baixo do que em 2023/2024 (301 minutos, mais cerca de meia hora).

O relatório do Plano para a Resposta Sazonal assume que o desfasamento temporal entre as altas clínicas e as altas administrativas compromete, nalguns casos, a gestão eficaz das urgências, com o acumular de doentes a aguardar internamento.

“O panorama agrava-se quando temos cerca de 2.000 camas ocupadas com casos sociais”, recorda o relatório, lembrando que 2.000 camas correspondem ao internamento de três grandes hospitais.

Um dos números que baixou em 2025/2026 foi o das altas por abandono, que passaram de 93.312 em 2024/2025 para 80.004 no último inverno.

Já em 24/25 o valor representava uma redução, após em 2023/2024 se registarem 103.199 altas por abandono, que refletem situações em que os utentes saem da unidade de saúde sem a devida formalização médica, ou porque abandonaram o local antes do fim do tratamento, muitas vezes devido aos longos períodos de espera, ou por falta de apoio familiar.

Comparativamente com o inverno de 2023/2024, registou-se uma redução que ronda os 22% no número de altas por abandono.

Quanto às chamadas atendidas pela Linha SNS24, aumentaram 18%, para 1.983.475, com uma média diária de 22.039 e o pico a ser atingido no dia 02 de dezembro de 2025 (37.154). O valor mínimo foi em 14 de fevereiro de 2026 (12.163).

A taxa média de atendimento das chamadas foi de 90,4% (+15% do que no mesmo período do ano anterior), segundo o documento, que relata que no período de 02 a 05 de janeiro de 2026 a taxa de atendimento desceu abaixo dos 80% – 71,9% a 02 de janeiro -, por menor disponibilidade de profissionais.

O tempo médio de espera tem melhorado, segundo os dados divulgados, sendo de três minutos neste inverno (-47% face ao período homólogo).

O pior dia foi em 15 de dezembro de 2025, quando se chegou a esperar 14,2 minutos para que a chamada para o SNS24 fosse atendida.

As segundas-feiras são o dia da semana com mais chamadas em média (+28,8% face aos restantes dias úteis da semana). Os dados indicam valores de 33.127 chamadas/dia à 2.ªfeira face às 25.710 entre terça e sexta-feira.

O relatório diz ainda que o SNS 24 registou melhores resultados operacionais, com mais chamadas atendidas (+19%) em menos tempo (-47%).

Dos utentes que ligaram para o SNS24, 41% foram encaminhados para as urgências (4.500 episódios/dia), que “esgota quase metade da capacidade instalada no país”, refere o relatório, sublinhando que, acima dos 10.000 episódios/dia, há “problemas de gestão” nos serviços de urgência.

Quase metade (46%) das chamadas para o SNS24 foram encaminhadas para os Cuidados de Saúde Primários (5.150/dia) e 5% para o INEM (589/dia), um valor de consome mais de 10% da capacidade de resposta do instituto.

Houve ainda 8% de chamadas encaminhadas para autocuidados, o que significou que se evitaram quase 1.000 idas às urgências por dia.

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