Média de graduação dos docentes em mobilidade interna está a descer, segundo nova plataforma

A média de graduação dos professores que concorrem em mobilidade interna é cada vez mais baixa, porque são cada vez mais novos, estando a perder-se a “memória pedagógica”, de acordo com plataforma que retrata a classe docente.

© D.R.

Dois professores de Educação Visual criaram uma plataforma, que cruza milhares de dados estatísticos ao longo dos anos e hoje apresentaram uma nova ferramenta que faz uma “análise histórica da Mobilidade Interna e revela alguns factos preocupantes”, disse à Lusa Pedro Brito, um dos autores da plataforma metaPROF.

Após analisarem os concursos dos últimos seis anos que permitiram aos professores mudar de escola (mobilidade interna), descobriram que “a média da graduação está a baixar significativamente” desde 2021.

A graduação profissional resulta de uma fórmula que combina a nota do curso e os anos de serviço, sendo que a experiência pesa bastante.

Segundo Pedro Brito, a descida das média de graduação “são fruto de entrada de professores com poucos anos de serviço” e o problema, na opinião deste docente, é colocar em risco a “memória pedagógica”.

“O que se esperava é que esta curva não fosse tão abrupta, que pudesse haver uma passagem de testemunho mais uniforme”, alertou, acreditando no entanto que tal não representa uma perda da qualidade pedagógica.

No entanto, um estudo da OCDE divulgado na semana passada apontava precisamente para o facto de os professores mais velhos terem mais conhecimentos pedagógicos, que lhes permite lidar melhor com as turmas e passar melhor os conhecimentos. O resultado prático deste conhecimento era que os alunos com professores com mais conhecimentos pedagógicos tinham melhores resultados académicos.

A plataforma metaPROF mostra ainda que “5.582 professores ficaram colocados no mesmo agrupamento em dois ou mais anos letivos em 2025/26, sinal de uma mobilidade mais aparente do que real para uma parte significativa do corpo docente”.

Através da recolha de dados, a plataforma consegue desenhar o perfil do professor e mostrar a realidade de cada um dos agrupamentos de escolas do país.

Neste retrato, Lisboa, Porto e Braga concentram a esmagadora maioria das candidaturas para os concursos internos, “o que torna qualquer reforma ao sistema de colocações com impacto direto nestas regiões um assunto de enorme sensibilidade”, sublinham os autores da plafatorma.

Os dois professores apresentam estes dados no dia em que os responsáveis do Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) voltam a reunir-se com os sindicatos para continuar as negociações de revisão do Estatuto da Carreira Docente.

Quando o Ministério da Educação admite “alterar completamente o paradigma dos concursos”, os professores precisam de dados, alertou Pedro Brito.

O MECI apresentou uma reforma ao nível do recrutamento e colocação de docentes, mantendo o concurso interno e criando um concurso contínuo, que substituirá os vários mecanismos concursais atualmente existentes.

Primeiro realiza-se o concurso interno, que permite a mobilidade dos docentes vinculados e a aproximação ao local de residência, sendo concluído antes do final do ano letivo, depois arranca o concurso contínuo nacional.

Através de uma base nacional única de docentes, ordenada e permanentemente atualizada, é permitida a entrada contínua de candidatos, com profissionalização ou habilitação própria, e a alteração das preferências do candidato a qualquer momento.

A plataforma nasceu há dois anos e tem uma compilação de todas as listas de professores desde 2005.

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