Um teste de avaliação contínua da unidade curricular de Direito do Trabalho I, da Escola Superior de Ciências Empresariais do Instituto Politécnico de Setúbal, a que o Folha Nacional teve acesso, utilizou o partido CHEGA, o presidente do partido André Ventura e recorreu a violência com armas para ilustrar um caso prático.
No exame, realizado a 22 de abril de 2026, pelo docente Tiago Araújo e responsável da Unidade Curricular, Helena Neves, os alunos são confrontados com um caso prático que descreve uma jovem de 16 anos, de nome “Beatriz”, identificada como militante de um partido fictício de extrema-direita denominado “Cheguei Chegando”. O enunciado refere ainda uma personagem chamada “André Aventuras”, de 19 anos, que decide vender-lhe uma pistola ‘glock’ para que esta pudesse “erradicar todos os emigrantes que se cruzassem com ela na escola que frequentava”.
O cenário prossegue com a aceitação do negócio por parte da jovem, que acreditava poder tornar-se a nova “Moranguete” do partido. A partir dessa narrativa, os estudantes eram convidados a responder a questões relacionadas com a existência e validade do negócio jurídico celebrado, bem como a analisar matérias relativas à personalidade e capacidade jurídicas das personagens envolvidas.
O exercício integra um grupo de questões avaliativas de natureza jurídica, destinadas a testar conhecimentos dos alunos sobre conceitos fundamentais do Direito Civil, ao que presidente do CHEGA, André Ventura, considera como “uma pura doutrinação”: “Isto é pura doutrinação nas escolas. É inadmissível que o sistema de ensino seja utilizado para ataques políticos. Já chega! Habituem-se a viver em democracia!”, escreveu o líder do partido nas suas redes sociais.
Até ao momento, não são conhecidas reações oficiais do Instituto Politécnico de Setúbal ou dos responsáveis pela unidade curricular relativamente ao conteúdo do exame.