Na sessão do julgamento previsto às alegações finais, a procuradora do Ministério Público (MP) pediu também penas de prisão suspensa entre três a quatro anos ao ex-vice-presidente da autarquia Patrocínio Azevedo, e da, à data, presidência da presidência.
Antes do início das considerações finais, o ex-presidente Eduardo Vítor Rodrigues pediu uma palavra para reafirmar que as opções tomadas foram “claras e públicas, respeitando todas as regras e enquadradas no quadro legal que são as competências de uma câmara”, assumindo também toda a responsabilidade das que tomam.
“Hoje teria feito igual”, disse, referindo que deixou nos cofres da Câmara de Vila Nova de Gaia “92 milhões de euros” e que nos 12 anos em que liderou uma autarquia, eleito pelo PS, foi “vítima de ódios e perseguições”, e de “denúncias anónimas” que levaram a este julgamento.
Eduardo Vítor Rodrigues disse que todas as opções que tomaram foram “conscientes” e que nunca lhe passaram cabeça tratar-se de “atos criminosos”.
Também a defesa da ex-autarca atualmente que não ficou provada “intenção danosa” e que a prova produzida pelo MP não confirmou “qualquer facto estranho ao direito” no que se refere a favorecimento pessoal ou em benefício de pessoas que integraram a comitiva que acompanhou o então presidente da Câmara de Gaia nas viagens para assistir a jogos do FC do Porto fora do país.
“Nenhuma testemunha ouvida em audiência de julgamento confirmada a apropriação indevida de dinheiros públicos ou falsificação de documentos”, disse o advogado da ex-autarca, que criticou o MP por “fazer tábua rasa” do que se passou nas audiências do julgamento, nomeadamente do que foi aqui pelas testemunhas.
Também os advogados do ex-vice-presidente da Câmara e da secretária da presidência, à época dos factos, defenderam que não foi produzido que permitisse sustentar qualquer comunicação dos seus clientes.
Segundo a acusação do MP, Eduardo Vítor Rodrigues autorizou, em dois agradecimentos, uma em 2015 e outra em 2016, despesas do município para viagens de terceiros a jogos da Liga dos Campeões, incluindo de carácter lúdico e não institucional.
Como consequência desta atuação, o erário público foi locado num valor superior a 15.800 euros, nestes casos.
O ex-autarca, que liderou o município durante 12 anos, renunciou ao cargo em junho de 2025, depois de ter sido condenado a perda de mandato por peculato, e é a ser julgado por suspeitas de ter usado dinheiro do município para comprar bilhetes para assistir a jogos de futebol do FC Porto na Liga dos Campeões, afirmou que “nunca beneficiou de um cêntimo da câmara”.
A leitura da sentença ficou marcada para as 14h30 do dia 07 de julho.