Madeiras provenientes do desmantelamento de uma linha ferroviária terão acabado numa propriedade do atual ministro da Administração Interna, Luís Neves, na sequência de uma oferta alegadamente feita por responsáveis da então empresa pública REFER durante um almoço realizado na sede da Polícia Judiciária (PJ), em Lisboa.
A informação foi avançada pelo jornal Sol e pela CNN Portugal, que situam o episódio em 2025, quando Luís Neves exercia funções de diretor nacional da PJ. O almoço teve como objetivo assinalar uma homenagem à REFER pela colaboração prestada numa investigação conduzida pela Polícia Judiciária.
Segundo as duas publicações, durante o encontro um responsável da empresa pública terá referido que estava em curso o desmantelamento de uma linha ferroviária. Perante essa informação, Luís Neves terá manifestado interesse em algumas das travessas de madeira, conhecidas no setor ferroviário como “sulipas”, explicando que pretendia utilizá-las para construir uma mesa e bancos de jardim numa propriedade sua, em Odemira.
Ainda de acordo com as mesmas fontes, o representante da REFER respondeu que teria “muito gosto” em oferecer o material.
Ultrapassada a questão da cedência, o foco passou para a logística do transporte. As pesadas travessas seguiram para o Alentejo através do empreiteiro João Carvalho, de Barcelos, indicado por Luís Neves para assegurar essa operação. O mesmo empreiteiro terá sido também o responsável pela construção da mesa e dos dois bancos de jardim, dando uma nova utilização às antigas madeiras da ferrovia.
Confrontado com o caso, o Ministério da Administração Interna não respondeu às questões colocadas pelos jornalistas.
Já o gabinete do ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, afirmou desconhecer os factos noticiados, remetendo quaisquer esclarecimentos para a Infraestruturas de Portugal (IP).