A ponte (de Sor) que o Estado não atravessa

Tal como diz a nossa Constituição no seu artigo 1º: “ Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária” quer este preceito dizer também, que além da pessoa física, quer ela seja Homem ou Mulher, também o próprio Estado, enquanto entidade política dotada de poderes soberanos, ele próprio é (ou deveria ser) possuidor da mesma dignidade adequada aos seres humanos (num âmbito distinto) como a salvaguarda do seu bom nome, isto é, que ao Estado deve-se respeito e consideração, bem como o alinhamento de todos os indivíduos com os seus princípios, sendo esta última consideração uma decorrência lógica da tarefa fundamental do Estado ínsita no Artigo 9º, alínea b) do texto fundamental.

Permitam-me: não me parece que estes postulados sejam acolhidos por determinadas comunidades e, crescentemente, o devir dos dias nos traz o assombro de realidades que nos transmitem pavor por serem tão banais e cuja a constância é uma evidência.

Não é necessário atestar fenómenos grupais de determinadas minorias para constatar empiricamente que os mesmos ofendem e atingem consideravelmente não só a paz social como, intrinsecamente, a própria autoridade do Estado. Os acontecimentos que tomaram lugar no Tribunal de Ponte de Sor são evidentes e não há qualquer incerteza remanescente sobre os seus propósitos: estorvar a justa e licita pretensão penal do Estado; os criminosos têm de ser perseguidos criminalmente, é esta uma das mais significativas e essenciais tarefas de um Estado de Direito, caso esta missão fracasse, é a própria tranquilidade social que fica comprometida.

O cenário no qual estes lamentáveis acontecimentos ocorreram, são apanágio destas unidades consanguíneas que se reclamam discriminadas e oprimidas pela nossa sociedade, violentadas e ofendidas pelas forças de segurança, abandonadas e desamparadas pelo Estado, só restando mencionarem que são árduos trabalhadores que, com sacrifício, altruística e solidariamente, contribuem para o corpo social.

Contudo, estes vulneráveis e desassistidos segmentos sociais, não estão sozinhos na sua desgraça colossal, ao seu lado estão as sempre presentes as zelosas e misericordiosas forças de esquerda, cuja benevolência e retidão fazem comover os mais eminentes, distintos e veneráveis homens e mulheres de abril!

É revoltante e sobretudo abominável que estas quadrilhas que se sentam à esquerda na casa da democracia, não tenham uma palavra de cortesia para com as vítimas destes atos criminosos perpetrados por quem se sente acima de todos, com laivos preferenciais e, incomparavelmente, são a predileção dos coletivos esquerdistas; perante os factos, que narrem as suas traumáticas experiências os enfermeiros, médicos e assistentes operacionais nos serviços de urgência dos nossos hospitais, que deem o seu depoimento os militares da GNR e agentes da PSP que veem as suas vidas e integridade física ameaçadas, que se faça ouvir o(a) cidadão(ã) que numa fila de supermercado se insurgiu contra a falta de civilidade desta multidão vulgar.

Para podermos desfrutar de serenidade e bem estar social é imperioso que estes tipo comportamentos sejam repelidos, pois a perceção que soa é de inquietação e ansiedade, principalmente por quem se vê exposto no seu quotidiano a estes incidentes.

Sem querer ser tendencioso, vejo no atual modo como o Estado lida com determinado tipo de fenómenos uma grave frouxidão e hesitação, pois quem tem o dever de cuidar da segurança da comunidade não pode demonstrar deficiência; que haja a integridade e a honradez para passar para a outra margem, pois não se fazendo a travessia desta ponte e permanecendo do lado de cá, não se realiza as legitimas aspirações do Povo e não se Chega à plenitude individual.

Post scriptum_Anseio que o defensor da legalidade democrática (Ministério Público) leve até às últimas consequências o atendado ao Estado de Direito que se viu em horário nobre.

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