Agricultores exigem 140 milhões ao Governo, mas ministro só promete apoios para 2027

Cerca de 150 dirigentes associativos do setor agroflorestal concentraram-se esta segunda-feira junto à Assembleia da República, em Lisboa, para exigir ao Governo 140 milhões de euros em apoios que permitam enfrentar o aumento dos custos de produção e recuperar a competitividade face a Espanha. A resposta do ministro da Agricultura aponta para 2027, ano em que estarão disponíveis mais de 162 milhões de euros para apoiar o setor.

© JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Os agricultores portugueses saíram esta segunda-feira à rua para exigir medidas de apoio à produção nacional, numa altura em que os elevados custos de produção continuam a pressionar a competitividade do setor agrícola.

Numa concentração junto à Assembleia da República, cerca de 150 dirigentes associativos agroflorestais reclamaram ao Executivo um pacote de apoios de 140 milhões de euros, destinado a compensar o aumento dos encargos suportados pelos produtores e a reduzir a desvantagem competitiva face aos agricultores espanhóis.

A resposta do Governo, porém, remete os apoios anunciados para o próximo ano.

O ministro da Agricultura afirmou que, em 2027, “haverá mais de 162 milhões de euros para apoio” aos agricultores, com o objetivo de compensar a subida dos custos de produção e reforçar a competitividade do setor.

Apesar de o montante anunciado pelo governante superar os 140 milhões de euros exigidos pelos representantes agrícolas, a diferença está no calendário: os agricultores reclamam medidas para responder às dificuldades atuais, enquanto o Governo aponta para verbas disponíveis apenas em 2027.

A concentração colocou, assim, em evidência o desencontro entre a urgência manifestada pelo setor e o horizonte temporal apresentado pelo Executivo.

Em causa está a capacidade dos produtores portugueses para continuarem a competir com os seus congéneres espanhóis, num contexto de aumento dos custos de produção e de crescente pressão sobre a atividade agrícola nacional.

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