A presidente do Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) acusou hoje a ministra da Saúde de não cumprir a promessa sobre o INEM, referindo que aquele está com menos de 30 médicos no quadro quando estão previstos 70 lugares.
“A Ana Paula Martins [ministra da Saúde] sempre afirmou (…) na sua governação (…) que dedicava mais de 70% do seu tempo ao INEM, mas a verdade é que não sabemos onde estão os resultados dessa prioridade e a ministra tem que explicar onde é que esses resultados estão”, declarou à Lusa Joana Bordalo e Sá.
À margem de uma reunião com os médicos do INEM, na sede da delegação do Norte do INEM para conhecer diretamente as suas condições de trabalho, os constrangimentos que enfrentam e as dificuldades na resposta à emergência médica pré-hospitalar, Joana Bordalo de Sá questionou onde está a palavra da ministra da Saúde sobre querer dar prioridade àquele instituto nacional.
“Alguém que diz que ia dedicar 70% do seu tempo ao INEM. No fim, o que temos no relatório do INEM 2025 era que estavam previstos 70 lugares, mas, neste momento, tem menos de 30 médicos”, apontou.
A presidente do Sindicato dos Médicos do Norte questionou a governante sobre os resultados do relatório do INEM 2025 e pediu explicações sobre os resultados.
“Como se explica que continuem por preencher tantos lugares numa instituição que é essencial e um pilar para socorrer à população”, interrogou.
Joana Bordalo e Sá alertou que não se pode continuar a depender da prestação de serviço para responder às necessidades permanentes do INEM, uma estrutura que tem cerca de 160 médicos prestadores de serviço, ou seja, “quase sete vezes mais do que o número de médicos do quadro”.
Por isso, a sindicalista defendeu um reforço médico do quadro com vínculos estáveis para que os médicos possam responder à emergência pré-hospitalar sem estar reféns na prestação de serviço.
“É preciso melhores condições de trabalho e salários também que sejam dignos para atrair e fixar médicos num enquadramento muito específico que é o INEM”, apontou.
Joana Bordalo e Sá acrescentou que também é preciso modelos “de progressão e de valorização”.
“A proposta do Sindicato dos Médicos do Norte é exatamente que se possa negociar um acordo coletivo de trabalho que valorize estes médicos. Em termos do seu vínculo, em termos da sua progressão, em termos do seu salário e em termos das suas condições de trabalho”, sublinhou, referindo que é à ministra da Saúde que cabe apresentar um “plano realístico com prazos para contratar e fixar médicos também no INEM”.
“Quem liga o 112 precisa de uma resposta atempada, que seja diferenciada e que também seja segura. E é isto que a ministra da Saúde tem que garantir e, isso, nem sempre acontece, aliás, infelizmente com as ocorrências que temos assistido”, concluiu.