O presidente do CHEGA, André Ventura, criticou esta terça-feira, no Parlamento, a posição do Presidente da República, António José Seguro, relativamente aos acontecimentos registados durante a manifestação pela habitação, considerando que o chefe de Estado deveria ter manifestado apoio à atuação das forças de segurança.
“Lamento que o Presidente da República não tenha deixado uma mensagem clara sobre a lei”, afirmou Ventura, acrescentando que Seguro deveria ter dirigido uma palavra aos agentes policiais que estavam a cumprir a legislação em vigor.
O líder do CHEGA reconheceu que o direito à manifestação é legítimo, mas defendeu que a violação deliberada da lei deve ter consequências. “A violação deliberada de uma lei que a própria esquerda aprovou deve ter consequências”, declarou.
Ventura questionou ainda as declarações do Presidente da República sobre os acontecimentos: “Não gostou do quê? Dos manifestantes ou da polícia?”, perguntando a que situações se referia concretamente o chefe de Estado.
O presidente do segundo maior partido considerou que as forças de segurança poderão sentir-se desvalorizadas perante as posições assumidas pelos responsáveis políticos. “As forças de segurança devem sentir frustração por terem cumprido uma lei que aqueles senhores aprovaram”, afirmou.
Lei das rendas
O líder da oposição abordou também os apelos ao diálogo político feitos pelo Presidente da República, relacionando-os com as propostas de alteração à legislação do arrendamento.
“Pede a todos que dialoguem, mas dialoguem sobre o quê?”, questionou, referindo-se à possibilidade de aumento das rendas e à exigência de cauções sem limites.
“O que quer o Presidente da República? Quer que o CHEGA deixe passar a lei das rendas? Que se possam pedir cauções ilimitadamente? Tem de dizer o que quer”, declarou.
O presidente do CHEGA defendeu que Seguro deveria esclarecer quais as medidas legislativas com que concorda. Recordou ainda que o partido apresentou propostas em matéria de IRS e pronunciou-se sobre a discussão da iniciativa legislativa do Governo na especialidade.
Ventura referiu-se igualmente à atuação do primeiro-ministro, Luís Montenegro, e do Presidente da República, considerando que ambos deveriam assumir posições mais claras sobre os acontecimentos relacionados com a manifestação.
“Dizer que todos têm razão e ninguém tem razão é uma certa frustração”, afirmou, voltando a defender que o chefe de Estado deveria reconhecer expressamente a atuação dos agentes policiais.
“O Presidente da República deve compreender que ter um discurso vago não resulta”, afirmou André Ventura, concluindo: “Ficamos todos na mesma”.