Guimarães e Braga estão demasiado próximas para continuarem tão distantes em matéria de transportes e mobilidade. Esta realidade prejudica quem trabalha, quem estuda, quem tem empresas e todos aqueles que, diariamente, precisam de se deslocar entre os dois concelhos.
Durante sete anos, percorri a Estrada Nacional 101 para estudar na Universidade do Minho. Hoje, continuo a utilizar a mesma estrada para me deslocar para o trabalho. Conheço, por experiência própria, as dificuldades de uma ligação que deveria ser simples, rápida e eficiente, mas que continua a representar uma perda significativa de tempo para milhares de pessoas.
Tal como defende Nuno Vaz Monteiro, vereador do Chega na Câmara Municipal de Guimarães, melhorar esta ligação não é apenas uma questão de mobilidade: é uma prioridade para a qualidade de vida das pessoas e para a competitividade de toda a região. Revejo-me nesta posição. Guimarães enfrenta problemas de mobilidade interna, mas um dos seus grandes desafios é também a ligação à capital de distrito, Braga, um importante polo industrial, empresarial e académico.
Não podemos continuar a aceitar que o automóvel seja, para tantas deslocações entre os dois concelhos, praticamente a única alternativa eficaz. A Estrada Nacional 101 suporta diariamente um volume significativo de trânsito, com consequências nos tempos de viagem, na segurança rodoviária e na qualidade de vida das populações. Precisamos de soluções concretas, realistas e complementares, capazes de responder às necessidades de quem vive e trabalha nesta região.
O projeto de MetroBus entre Guimarães e Braga representa uma possibilidade que merece ser devidamente avaliada e concretizada, caso os estudos confirmem a sua viabilidade. Contudo, a sua execução exige planeamento, continuidade política e uma visão estratégica que vá muito além dos anúncios públicos. Uma primeira fase até às Caldas das Taipas poderá constituir um passo importante, mas não pode fazer esquecer o objetivo principal: garantir uma ligação eficiente entre Guimarães e Braga, articulada com os transportes públicos existentes e com a futura estação de alta velocidade em Braga.
Uma infraestrutura desta natureza deve ser pensada para servir pessoas, empresas, zonas industriais e instituições de ensino. Deve, igualmente, ser planeada de forma a permitir uma eventual evolução para soluções de transporte mais ambiciosas, se tal vier a justificar-se. Investir hoje não pode significar limitar as opções de amanhã.
Mas a mobilidade não pode ficar à espera de grandes obras que poderão demorar anos a concretizar. O projeto de BRT, ou MetroBus, ainda exige decisões, estudos e investimento. Importa, por isso, discutir também medidas que possam produzir resultados no curto prazo. Caso contrário, corremos o risco de acumular projetos, anúncios e expectativas sem que as dificuldades diárias das populações encontrem resposta.
É neste contexto que considero pertinente a proposta defendida pelo Chega Guimarães de estudar a possibilidade de isentar os automobilistas do pagamento de portagens no troço da autoestrada que liga Guimarães a Braga, através de um acordo negociado com a concessionária.
Esta proposta merece ser analisada e debatida com seriedade, com base em dados técnicos e financeiros e sem preconceitos ideológicos. Se a utilização deste troço pudesse ser gratuita, ou significativamente mais acessível, muitos condutores poderiam ter um incentivo para abandonar a Estrada Nacional 101 e optar pela autoestrada. Tal poderia contribuir para reduzir o trânsito nas localidades atravessadas, aliviar os congestionamentos e tornar os tempos de deslocação mais previsíveis.
Naturalmente, uma medida desta natureza exigiria uma avaliação rigorosa dos custos, dos impactos no tráfego, das condições contratuais da concessão e das eventuais compensações necessárias. Seria também fundamental perceber se a redução do trânsito na EN101 compensaria o investimento público ou os encargos associados a uma eventual negociação. Não basta apresentar uma proposta: é necessário demonstrar que pode funcionar. Mas também não faz sentido descartá-la sem a estudar.
Importa deixar claro que esta possibilidade não deve substituir o investimento nos transportes públicos. A região precisa de alternativas coletivas eficientes, acessíveis e sustentáveis. O que defendo é uma abordagem pragmática: encontrar respostas para os problemas de hoje enquanto se preparam as soluções estruturais de amanhã. Uma política de mobilidade eficaz deve combinar diferentes opções, respeitar as necessidades de quem vive e trabalha no território e ser avaliada pelos resultados que consegue produzir.
A futura ligação ferroviária de alta velocidade só representará uma verdadeira vantagem para Guimarães se existir uma ligação rápida, cómoda e acessível à estação de Braga. De pouco servirá encurtar distâncias entre grandes cidades se continuarmos a perder tempo nas deslocações regionais. A integração dos transportes será, por isso, tão importante como a própria infraestrutura ferroviária.
Guimarães e Braga não têm de competir entre si. Têm de cooperar. A força de uma região mede-se também pela capacidade de os seus municípios trabalharem em conjunto, ultrapassarem fronteiras administrativas e criarem condições para que pessoas, empresas e instituições beneficiem de um território mais integrado.
Estamos perante duas cidades dinâmicas, com importantes polos industriais, empresariais, tecnológicos e académicos, cuja proximidade deveria constituir uma vantagem competitiva. Para isso, precisamos de transformar a proximidade geográfica numa verdadeira proximidade funcional: menos tempo perdido no trânsito, mais alternativas de transporte, melhores ligações entre os principais polos de atividade e melhores condições para o desenvolvimento económico.
Acredito que o futuro não se constrói apenas com promessas ou projetos sucessivamente adiados. Constrói-se com decisões, negociação, planeamento e execução. É necessário discutir soluções, avaliar os seus custos e benefícios e avançar com aquelas que melhor respondam às necessidades da população.
Guimarães e Braga precisam de estar mais próximas na prática, e não apenas no mapa. Porque ligar territórios é, acima de tudo, aproximar pessoas, criar oportunidades e construir uma região com mais qualidade de vida e maior capacidade de desenvolvimento.