Uma denúncia anónima recebida esta terça-feira pelo Folha Nacional levanta dúvidas sobre a formação dos trabalhadores da Menzies, empresa responsável pelos serviços de assistência em terra no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa.
A informação foi transmitida por uma fonte, ligada à antiga Groundforce, que denuncia a existência de funcionários da Menzies a desempenhar funções sem formação adequada.
Segundo a mesma fonte, a situação já terá sido comunicada aos partidos políticos, mas, até ao momento, não terá suscitado uma tomada de posição pública sobre o assunto.
“Pessoas da Menzies sem formação, como já foi transmitido a todos os partidos políticos em Portugal e nenhum fala em público na comunicação social sobre o tema”, refere a denúncia recebida pelo Folha Nacional.
Falha de segurança obriga passageiros a repetir controlos
A denúncia chega precisamente no dia em que o Aeroporto de Lisboa registou um incidente que obrigou ao encerramento temporário de parte do Terminal 1.
Segundo noticiaram o Público e o Notícias ao Minuto, um erro operacional atribuído à Menzies, durante o desembarque de um voo proveniente do Brasil, terá permitido o contacto entre passageiros recém-chegados e outros que já tinham passado pelos controlos de segurança.
A situação levou à repetição dos procedimentos de segurança por dezenas de passageiros, causando constrangimentos no funcionamento do aeroporto.
Sete anos de operação garantidos dias antes do incidente
O episódio ocorre, note-se, menos de duas semanas depois de a Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) ter atribuído à Menzies/SPdH as licenças de assistência em escala nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro, válidas por sete anos.
A decisão, anunciada a 23 de outubro, permite à empresa assegurar a continuidade da atividade nos três aeroportos portugueses. A atribuição das licenças pressupôs a avaliação da capacidade técnica da empresa no âmbito do procedimento conduzido pela autoridade reguladora.
Contudo, a denúncia agora recebida pelo Folha Nacional coloca novas questões sobre a formação dos trabalhadores, os mecanismos de fiscalização e o conhecimento que as entidades competentes poderão ter de eventuais irregularidades.
A empresa garantiu sete anos de operação. Onze dias depois, uma falha de segurança expôs fragilidades nos procedimentos aeroportuários e uma denúncia anónima trouxe para primeiro plano a formação dos seus funcionários.