Prometia casas da Câmara de Lisboa por até nove mil euros, mas deixou famílias sem dinheiro e sem habitação

O Ministério Público investiga Liliana Fonseca por suspeitas de burla e falsificação de documentos. A mulher alegava ter contactos na Câmara de Lisboa capazes de garantir casas com rendas acessíveis, mediante pagamentos de milhares de euros. Algumas vítimas entregaram as poupanças de uma vida, mas continuam sem casa e sem conseguir recuperar o dinheiro.

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Uma mulher que prometia facilitar o acesso a habitações municipais em Lisboa está a ser investigada pelo Ministério Público, depois de várias pessoas terem denunciado pagamentos entre seis mil e nove mil euros por casas que nunca chegaram a receber.

Segundo revela uma investigação da TVI/CNN Portugal, Liliana Fonseca apresentava-se como alguém com contactos privilegiados dentro da Câmara Municipal de Lisboa, capazes de assegurar a atribuição de habitações com rendas acessíveis, contornando a incerteza dos concursos públicos.

As promessas incluíam apartamentos T2 com rendas mensais entre 125 e 200 euros. Para garantir o alegado acesso, os interessados tinham de entregar milhares de euros antecipadamente.

Uma das vítimas pagou sete mil euros e ficou sem casa e sem dinheiro. Outra entregou seis mil euros, correspondentes às poupanças acumuladas enquanto trabalhava em dois empregos. Uma terceira mulher, mãe de duas filhas, pagou cinco mil euros e recebeu sucessivas promessas de que a habitação seria atribuída.

Dados falsos nas candidaturas

A investigação revelou ainda suspeitas de manipulação dos dados introduzidos na plataforma municipal de habitação.

Uma das lesadas descobriu que estava identificada como desempregada e pessoa com deficiência, apesar de trabalhar e não possuir qualquer incapacidade.

Em conversas gravadas pela TVI/CNN Portugal, Liliana Fonseca admitiu cobrar dinheiro pelos serviços prestados e fez referências à possibilidade de alterar informações fiscais para facilitar candidaturas.

A mulher mencionou ainda alegados pagamentos a uma técnica com capacidade para intervir nos processos de atribuição de habitação.

Câmara nega interferências nos concursos

A Câmara Municipal de Lisboa garantiu não ter conhecimento de qualquer intervenção irregular nos sorteios de habitação e assegurou que uma auditoria não encontrou indícios de manipulação dos resultados.

A autarquia confirmou, contudo, ter prestado esclarecimentos ao Ministério Público relativamente ao 29.º concurso do Programa Renda Acessível.

Desde 2021, foram atribuídas quase 3500 habitações através deste programa, cuja procura continua a superar largamente a oferta disponível.

O processo está a ser investigado pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa, por suspeitas de burla e falsificação de documentos.

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