Ministro da Cultura vai ser ouvido na AR sobre estatuto e apoios às artes

© Folha Nacional

O ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, vai ao parlamento prestar esclarecimentos sobre os apoios às artes e o Estatuto dos Profissionais da Área da Cultura, no âmbito de requerimentos do PCP e do BE hoje aprovados.

De acordo com fonte parlamentar, os requerimentos para audição do ministro da Cultura, sobre “o apoio às artes e o Estatuto dos Profissionais da Área da Cultura” (PCP) e “os atrasos nos concursos da Direção-Geral das Artes (DGArtes) de Apoio a Projetos Artísticos”, foram aprovados por unanimidade, com a ausência da Iniciativa Liberal.

No requerimento, o PCP lembrava que existe um “enorme descontentamento” com o estatuto, que “não está a dar resposta às necessidades dos trabalhadores do setor, defraudando as expectativas”.

O PCP salientava que o número de trabalhadores inscritos nesse estatuto “é reduzido”, falando num valor “inferior a três mil”, e indicava que “os atrasos são evidentes”, com “pedidos de janeiro deste ano para apoio de suspensão de atividade que ainda não tiveram resposta”.

No início deste mês, estruturas representativas dos trabalhadores da Cultura consideraram gravíssimo que, um ano e meio depois da entrada em vigor do estatuto, ainda não tivesse sido pago um único subsídio de suspensão de atividade.

“Foi-nos dito que nenhum subsídio foi ainda pago, porque falta ainda fazer regulamentação do estatuto, mais especificamente nas questões ligadas à Segurança Social. Naturalmente achamos que ao fim de um ano e meio de o estatuto estar em implementação, é gravíssimo que as coisas ainda não estejam a funcionar”, afirmou a presidente da Plateia – Associação de Profissionais das Artes Cénicas, Amarílis Felizes, à Lusa, após uma reunião com a tutela.

Em 16 de maio, as sete estruturas que se vieram a reunir em 02 de junho com o ministro da Cultura, em Lisboa, denunciaram que os pedidos de suspensão de atividade pedidos por trabalhadores do setor, que está previsto no Estatuto dos Profissionais da Área da Cultura, estavam a sofrer atrasos “de vários meses” nos pagamentos ou mesmo ausência de resposta aos pedidos.

Da tutela receberam a garantia de que “estão em cima disso, e que está para breve [a resolução do problema]”.

As estruturas ainda tentaram saber quando tal irá acontecer, mas “não foi dada uma resposta muito concreta”, apenas que “estava tudo para breve”.

Este apoio está inscrito no estatuto, há muito reclamado pelo setor e cuja aplicação entrou em vigor de forma faseada em 2022. Só a partir de 01 de outubro de 2022 é que os trabalhadores passaram a poder ter acesso àquele subsídio.

No requerimento hoje aprovado, o PCP aborda também os concursos de apoios sustentados às artes, considerando que a “exclusão de inúmeras candidaturas” se deveu ao facto de as verbas alocadas serem “manifestamente insuficientes” e não por haver falta de elegibilidade das candidaturas.

Quanto ao Programa de Apoio a Projetos da DGArtes, o PCP frisou que o Governo “‘convidou’ as estruturas a apresentarem candidaturas”, mas o programa já está atrasado, uma vez que o prazo de execução é de 01 de junho de 2023 a 30 de novembro de 2024.

“Face ao número elevado de candidaturas e o parco orçamento, a preocupação e o receio que venham a ficar inúmeras candidaturas excluídas é grande”, referiu o partido.

Na semana passada, ficou a saber-se que o Programa de Apoio a Projetos 2022 da DGArtes, na área de programação, propôs para apoio 92 candidaturas de um total de 383, menos de um quarto dos concorrentes.

Os 92 projetos propostos para apoio representam mais 10 do que em 2021, apesar de o aumento do número de candidaturas consideradas válidas ter disparado de 178 para 383.

A declaração anual da DGArtes para 2022 previa que os concursos de apoio a projetos tivessem aberto até outubro, mas tal só aconteceu no final de dezembro.

Em janeiro, a associação Plateia alertou o ministro da Cultura para o “verdadeiro caos” nos concursos de apoio a projetos, caso não houvesse um reforço de verbas, algo que já foi rejeitado pelo governante, que se mostrou “empenhado” num aumento do valor, mas só para o próximo programa de apoio.

O alerta da Plateia residia no facto de cerca de metade das candidaturas aos concursos bienais do Programa de Apoio Sustentado da DGArtes ter ficado sem apoio, apesar da classificação as eleger para tal, por falta de reforço financeiro desta modalidade.

Na sequência destes resultados, conhecidos em novembro do ano passado, o ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, referiu igualmente a existência de outros apoios, a que as estruturas então excluídas podiam concorrer.

Os atrasos nos concursos do Programa de Apoio a Projetos estão na base do requerimento do BE, também aprovado hoje.

No requerimento, os bloquistas recuaram a maio do ano passado, quando foram lançados os concursos de Apoio Sustentado pela DGArtes, defendendo que os resultados destes, conhecidos em novembro de 2022, “deixaram em situação crítica várias entidades da cultura”, criando “um passivo que pressiona os concursos seguintes”, como acontece agora com o de Apoio a Projetos.

Últimas de Política Nacional

Primeiro, o Governo respondeu ao CHEGA indicando um orçamento de 144.456 euros para a destruição dos químicos, em linha com a justificação apresentada por Luís Neves. Agora, confrontado pelo Observador, o Ministério da Justiça esclarece um pormenor decisivo: aquele valor abrangia produtos apreendidos em vários processos e não apenas os 62 bidões da Operação Pacoba. Afinal, os 144 mil euros não eram só para aqueles químicos.
O líder do CHEGA contesta limitações ao objeto da comissão de inquérito e quer escrutinar toda a passagem de Luís Neves pela direção da PJ, incluindo o seu afastamento da Operação Influencer e perceber se decisões tomadas durante o mandato sofreram influência política.
Luís Montenegro vai enfrentar o debate da moção de censura apresentada pelo CHEGA no dia 8 de setembro, às 15h00. Partidos decidiram acelerar os prazos para que o país não fique à espera de uma resposta política à iniciativa apresentada na sequência das polémicas que envolvem o ministro da Administração Interna, Luís Neves.
Presidente do CHEGA anunciou esta quarta-feira que o partido deu entrada de uma moção de censura ao Governo e considera a decisão “irreversível”. André Ventura acusa Luís Neves de não esclarecer as suspeitas que têm marcado a polémica em torno do ministro, critica o silêncio de Montenegro e garante que a comissão parlamentar de inquérito é para manter.
Presidente do CHEGA quer saber como Portugal vai pagar as novas fragatas e quanto custarão os juros. Ventura acusa ainda o Governo de ter adotado a “escola Luís Neves”: “Fala quando quer, sobre o que quer.”
Adjuntos, assessores e chefes de gabinete passaram dos corredores do Governo para lugares na Administração Pública. Em 17 casos, entraram em regime de substituição e, em dois, o percurso já terminou com uma nomeação por cinco anos.
Partido liderado por André Ventura questiona o Governo sobre o destino das habitações financiadas pelo PRR e pelo 1.º Direito e exige números sobre os beneficiários. Perante milhares de portugueses à procura de casa e uma oferta pública escassa, o CHEGA defende prioridade para cidadãos nacionais e para quem demonstre uma ligação duradoura e contributiva ao país.
Presidente do CHEGA considera que Luís Montenegro perdeu autoridade sobre o ministro da Administração Interna e avisa que, se não houver uma decisão sobre Luís Neves, o partido admite avançar com uma moção de censura. André Ventura acusa o ministro de ter arrastado o país para um “lamaçal político” e garante que a comissão parlamentar de inquérito é para manter.
Presidente do CHEGA considera “absolutamente razoável” o projeto que proíbe a mudança de sexo em menores de idade e reafirma a intenção de manter a iniciativa, rejeitando o apelo da ONU para que seja retirada ou revista.
Bancada de André Ventura apresentou dois projetos de lei, 14 projetos de resolução e avançou com a comissão de inquérito à liderança de Luís Neves na PJ. Somam-se ainda 28 perguntas dirigidas ao Governo.