21 Maio, 2024

A contabilidade da crise – Quem paga?

A nossa experiência profissional individual, nas mais diversas perspectivas, permite uma sensibilidade e contacto próximo com a realidade social, económica e até política.

O mundo dos números contabilísticos, minha zona de análise diária, leva a uma primeira sensação de alguma retração, não só no plano laboral económico e empresarial, bem como na diminuição de subscrição de seguros não obrigatórios. 

Esta contenção de despesas por parte do cidadão comum, é uma natural consequência do avolumar de despesas inopinadas com outros factores, principalmente o pagamento de empréstimos bancários. 

Cada crise económica tem características únicas e portanto afetam de forma diferente os estratos sociais, e a atual conjuntura económica não é excepção. 

Já vivemos em épocas de juros elevados, com imensa habitação disponível e até escassez na procura, o famoso subprime de 2008.

A crise que vivemos hoje, alia dois factores muito perturbadores para a classe média Portuguesa: escassez de habitação disponível e juros do Banco Central Europeu cada vez mais elevados.

Não é politicamente correcto distinguir estratos sociais de uma crise, mas a verdade é evidente, com estes factores o português comum que comprou a sua habitação, que pediu um empréstimo bancário, que teve coragem de ser um empreendedor num pequeno negócio, que luta dia a dia para cumprir com uma muralha de impostos, está a ser asfixiado pelas implacáveis determinações do Banco Central Europeu, é este o verdadeiro alvo desta crise.

Nos dias de hoje, ter uma renda de habitação municipal, que não sofre qualquer oscilação, dá uma tranquilidade nos sobressaltos económicos que vivemos, principalmente quando vemos municípios que permitem que o incumprimento reiterado de rendas simbólicas no valor de cinco euros nunca tenham sido cobradas. 

O cidadão comum, em igual circunstância, levado ao limite da sua capacidade de esforço sofre uma penhora e consequente acção de despejo. A única transversalidade seria a especulação ao nível dos produtos alimentares, vestuário ou outros, mas mesmo ai, a discriminação da classe média continua a torná-la um alvo.

Quem trabalha e recebe um salário de mil euros, é rico aos olhos de quem nos governa e portanto não elegível para apoios.

Quem se ostraciza em habitação camarária, vive de uma permanente solidariedade e uma consequente maior resistência ao flagelo da crise e da especulação.

É mais uma vez, uma crise dirigida a todos os que produzem. Para este governo socialista, produzir é um terrível sinal de basófia capitalista que deve ser explorada até à exaustão. 

Da mesma forma que o cenário económico torna mais difícil a sobrevivência com dignidade por parte do Português comum que trabalha, devem as medidas de compensação e apoio serem também elas direccionadas e discriminatórias em sentido positivo. O velho chavão de que as crises afectam sempre os mais pobres, após análise criteriosa do presente, revela-se inadequada. Temos que apoiar quem se atreveu a investir, temos que apoiar quem sofre com o aumento dos juros e temos que obrigar Bruxelas a respeitar quem ousa empreender.

Sonhar não pode ser proibido. A ambição deve ser elogiada. O empreendedorismo tem que ser apoiado.

O combate ao ditame financeiro de Bruxelas não se faz com queques, mas sim com políticos ousados e firmes na defesa da família Portuguesa, dos nossos valores, das nossas tradições e da nossa cultura. Por tudo isto CHEGA!

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