Técnicos de emergência e bombeiros pedem comissão de inquérito ao INEM

As associações de técnicos de emergência médica e de bombeiros e agentes de proteção civil reiteraram hoje a preocupação com as falhas na assistência prestada pelo INEM e insistiram na necessidade de uma comissão parlamentar de inquérito.

posição das associações (Fénix e ANTEM) surge na sequência de uma notícia publicada no jornal Expresso, que relata o caso de um homem em risco de amputar uma perna, na sequência de um acidente grave com uma rebarbadora.

“Sendo o segundo caso de que temos conhecimento no espaço de uma semana (…) este novo caso que veio a público, que muito lamentamos, sustenta de forma inequívoca, a incapacidade e inoperacionalidade do dito SIEM [Sistema Integrado de Emergência Médica], promovendo a transformação daquilo que deveriam ser Serviços Médicos de Emergência em prestações de socorro de má qualidade”.

Na sexta-feira, as duas associações criticaram a recondução de Luís Meira no cargo de presidente do INEM e solicitaram a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito.

No artigo intitulado “A (arrepiante) história de vaivém entre hospitais após um acidente grave”, o Expresso conta um caso ocorrido em Celorico da Beira, no final de agosto: “Um homem com uma rebarbadora agarrada à perna foi enviado para o hospital da Guarda, onde não há médicos de cirurgia vascular. Foi estabilizado e transferido para o hospital de Viseu, ainda com a máquina agarrada” ao corpo. “O homem andou para trás, para só depois ser enviado para o único hospital da região onde poderia ser devidamente assistido”, segundo o semanário.

“O centro nevrálgico do SIEM, em especial o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) encontra-se há demasiado tempo estagnado, refém de um instituto que se encontra fechado em si próprio, incapaz de se modernizar e atualizar por forma a garantir a prestação de um serviço de qualidade aos cidadãos e a Portugal”, acusam as organizações, reiterando a posição assumida na sexta-feira, em comunicado.

Hoje, num novo documento, no mesmo sentido, a Fénix — Associação Nacional de Bombeiros e Agentes de Proteção Civil e a ANTEM (Associação Nacional dos Técnicos de Emergência Médica) reiteraram “a incapacidade do INEM” em responder aos pedidos de ajuda, o que resulta em “eventos trágicos”.

“A incapacidade reiterada do INEM, através dos CODU, de providenciar o transporte do paciente para cuidados definitivos (unidade hospitalar com valências adequadas ao estado clínico do paciente), conforme os princípios básicos, reconhecidos mundialmente, dos Serviços Médicos de Emergência”, é apontada pelas organizações numa extensa lista de situações que consideram não estar a funcionar adequadamente.

Para as associações, está em causa já não só o direito à saúde, como o direito à vida.

O ministro da Saúde, Manuel Pizarro, nomeou o conselho diretivo do INEM, reconduzindo Luís Meira como presidente para um mandato de cinco anos.

“Podemos concluir que provavelmente o Exmo. Sr. Ministro da Saúde se equivocou na recondução do Presidente do INEM – Este é mais um caso e mais uma prova disso mesmo. A manter-se a recondução, não podemos mais do que assumir que o Exmo. Sr. Ministro da Saúde será corresponsável em todos os eventos adversos que vierem a ocorrer no que tange à incapacidade reiterada do INEM naquilo que é a persecução da sua missão”, lê-se no documento, que será enviado ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, aos grupos parlamentares, à Comissão de Direitos, Liberdades e Garantias e à Comissão de Saúde da Assembleia da República.

Últimas do País

Os serviços de apoio domiciliário são considerados essenciais para manter as pessoas em casa e combater a solidão, mas enfrentam escassez de profissionais, baixos salários e limitações que impedem uma resposta às necessidades mais complexas, revela hoje um estudo.
A atuação do Estado português durante a pandemia de covid-19 está novamente sob escrutínio, após a divulgação de contratos assinados com farmacêuticas que reconhecem incertezas quanto à segurança e eficácia das vacinas no momento da sua aquisição.
Uma grávida transportada do Barreiro deu à luz antes de entrar no serviço de urgência do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, confirmou à Lusa a instituição, adiantando que mãe e bebé estão bem.
Um jovem de 17 anos foi esfaqueado na tarde de quinta-feira, em Camarate, no concelho de Loures, depois de uma discussão com outro jovem, alegadamente por motivos fúteis.
As instalações da GNR de Vila Nova de Famalicão vão ser alvo de uma "intervenção urgente", orçada em 421 mil euros, para acudir, sobretudo, ao problema das infiltrações, anunciou hoje o município.
O médico Vítor Almeida afirmou hoje que recusou liderar o INEM em 2024 devido à falta de garantias do Ministério da Saúde sobre o serviço de helicópteros de emergência médica, alegando que a solução passava por ajuste direto.
A Guarda Nacional Republicana (GNR) detetou no ano passado quase 73 mil veículos a circular sem inspeção obrigatória, uma média que ronda os 200 por dia, e um em cada quatro foi em Lisboa e Porto.
A Polícia de Segurança Pública (PSP) inicia hoje a operação “Polícia Sempre Presente: Páscoa em Segurança 2026”, reforçando a visibilidade nos grandes centros urbanos e a segurança rodoviária, informou hoje aquela força de segurança.
Cinco homens e uma mulher, entre 31 e 42 anos, foram detidos por suspeita de tráfico de estupefacientes, após buscas em Loures, Lisboa e Cascais, com apreensão de quantidades elevadas de drogas de vários tipos, revelou hoje a PSP.
Cinco pessoas foram detidas na Madeira no decurso de uma "operação policial de grande envergadura", em que foram também apreendidos sete veículos, 10 telemóveis e um "grande valor monetário", indicou hoje a Polícia de Segurança Pública (PSP).