23 Junho, 2024

Afonso de Albuquerque e Marcelo

Lá para os jardins de Belém encontra-se uma estátua à boa maneira antiga, daquelas que o povo percebe bem o que é, que não fica à interpretação daqueles seres de compridas barbas, com cabelos desgrenhados e, ar de quem não toma banho há uns tempos, que acenam com a cabeça e reviram os olhos em silêncio, intelectualizando o acto, tornando-o em si só, apenas ao alcance de privilegiados intelectuais. Depois aquelas mulheres feias que por não terem quem as queira, pertencem àqueles partidos e organizações que todos sabem, têm parceiros do mesmo género, criticam o que está na moda mas que, felizmente, ainda pertencem a uma minoria que se julga dona da razão e da intelectualidade.

A estátua é linda, mas os portugueses liderados pelos acima referidos não gostam dela. Não tem pedregulhos fálicos, não esguicha água, não representa a virilidade de revolucionários, não deixa nada à interpretação de cada um, enfim. Representa tão somente um dos maiores de Portugal, o Leão dos mares como diria Geneviéve Bouchon uma escritora que descreve os seus feitos como ninguém. Refiro-me a Afonso de Albuquerque antigo governador da Índia no tempo em que meia dúzia de portugueses entrava pelo mar pérsico adentro e que com duas ou três embarcações, fazia tremer quem se lhe opusesse. Outros tempos.

Afonso feito de bronze e do alto do seu pedestal de pedra dura tem uma vista privilegiada. Vê o Tejo e o monumento que celebra as viagens dos nossos heróis do mar mas também vê os velhos do Restelo, os arautos da desgraça e os manifestantes de ocasião. Bem ao lado tem um palácio cor-de-rosa a subir colina acima, onde habita sua excelência o dono da nação, homem de estranhas e múltiplas manias que continua a surpreender os portugueses.

Desta vez, Afonso de Albuquerque viu com surpresa Marcelo sentado num banco do jardim tendo a seu lado uma escudeira de bota alta mas sem cavalo e que é obrigada a aturar estas voltinhas do dono da nação. Umas vezes é ao multibanco, outras para ver as pedras da calçada e desta vez para falar com os motoqueiros que justamente se queixavam do aumento do IUC. Afonso ainda o viu a falar e disse cá para ele que ninguém o ouve. “O que disse aos cavaleiros do asfalto das suas queixas, entra-lhe a 100 e sai a 200 ”. Nada como conhecer o dono que tem imensas semelhanças com D. Manuel pelo menos naquela parte do dar ouvidos a quem não deve e não lhe dar o devido valor a ele, que ali está agora, outrora longe, para lhe dizer umas verdades.

À espera da TV enfrenta a camara sem temor e com à-vontade demais. Aparece-lhe uma mulher desinteressante e tendenciosa que lhe diz que esteve mal e que o que disse ao embaixador da Palestina não foi o que os portugueses esperavam e que ele ali, não a representou. Marcelo olhou à procura do decote que não encontrou. “Não tinha qualquer espécie de interesse”, disse-lhe Albuquerque lá do alto. 

Depois encontrou um desfasado mental que lhe encostou a cara e lhe disse que “o senhor já não é comentador, fala demais e se é apoiante da Palestina, que o afirme claramente.”. 

É, o homem põe-se a jeito e arrisca-se a levar umas palmadas dum qualquer anormal que no ambiente atual de tolerante igualdade, se julga ao mesmo nível e que perdeu, tal como muitos portugueses, todo o respeito pela figura. “Pois é, no meu tempo não era assim e D. Manuel, com os seus defeitos, não permitia estas veleidades. Esteve mal o dono de Portugal e pior os guarda costas que nada fizeram, deixando o idiota salivar a cara de Marcelo com “perdigotos” e malcriada confrontação.” Disse Albuquerque para quem o mais alto representante da nação merece o respeito dos portugueses.

Para mim que não gosto do presidente Marcelo nem do que tem feito no cargo que deveria exercer com outra categoria, o que se passou foi uma vergonha e deve fazer refletir os portugueses. É que gente como esta, que a mando defendem outras e deturpadas causas, não deveria anda por aí a fazer corar a verde mas honrada cara de Afonso de Albuquerque. 

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