Empresária Halla Tomasdottir eleita Presidente da Islândia

A empresária Halla Tomasdottir foi eleita Presidente da Islândia, sucedendo a Gudni Johanneson no cargo, que é essencialmente cerimonial, segundo os resultados da eleição de sábado divulgados hoje.

© Facebook de Halla Tomasdottir

 

A principal rival de Tomasdottir, a antiga primeira-ministra Katrín Jakobsdóttir, já felicitou a Presidente eleita, de acordo com a agência espanhola Europa Press.

Tomasdottir obteve 34,3% dos votos contra 25,2% da ex-primeira-ministra e 15,5% de Halla Hrund Logadottir, de acordo com os resultados finais divulgados pela emissora pública islandesa RUV.

Tomasdottir, de 55 anos, fez campanha como alguém que estava acima da política partidária.

A agência norte-americana AP destacou a aposta de Tomasdottir em ajudar a abrir debates sobre questões como o efeito das redes sociais na saúde mental dos jovens, o desenvolvimento da Islândia como destino turístico ou o papel da inteligência artificial.

Tomasdottir exercerá um papel visto como unificador e garante da Constituição, com certos poderes, como o de vetar legislação ou submetê-la a referendo.

O veto é invulgar e um dos últimos remonta a 2010, quando Ólafur Ragnar Grímsson se recusou a assinar um acordo que obrigava a Islândia a reembolsar os depositantes britânicos e neerlandeses afetados pelo colapso do banco Icesave.

A campanha eleitoral não foi marcada por um tema central, com os debates a dividirem-se entre a guerra na Ucrânia, a relação com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO, na sigla em inglês) e os poderes de veto.

As eleições em si são especialmente valorizadas na Islândia como uma expressão de democracia pura.

Por tradição, os candidatos concorrem como independentes, sem filiação partidária, e qualquer cidadão que reúna 1.500 assinaturas pode concorrer às eleições.

A Islândia, uma nação insular nórdica situada no Atlântico Norte, tem cerca de 384.000 habitantes e uma longa tradição de eleição de mulheres para altos cargos.

Vigdis Finbogadottir foi a primeira mulher eleita democraticamente presidente de qualquer nação quando se tornou chefe de Estado da Islândia em 1980.

Nos últimos anos, o país viu duas mulheres chefiarem o governo, proporcionando estabilidade durante anos de turbulência política.

Johanna Sigurdardottir liderou o executivo de 2009 a 2013, depois de a crise financeira mundial ter devastado a economia islandesa.

Katrín Jakobsdóttir tornou-se primeira-ministra em 2017, liderando uma ampla coligação que pôs fim ao ciclo de crises que tinha provocado três eleições em quatro anos.

Demitiu-se em abril para se candidatar às eleições de sábado.

Tomasdottir ganhou proeminência durante a crise financeira, quando foi aclamada como cofundadora da Audur Capital, uma das poucas empresas de investimento islandesas que sobreviveram à convulsão.

Estava de licença como diretora executiva da B Team, uma organização sem fins lucrativos que trabalha para promover a diversidade no local de trabalho e tem escritórios em Nova Iorque e Londres.

Tomará posse como sétima Presidente da Islândia em 01 de agosto.

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