Desacatos em várias zonas da grande Lisboa após morte de suspeito baleado pela PSP

Os desacatos que decorrem desde segunda-feira após a morte de um homem baleado pela PSP espalharam-se hoje à noite a várias zonas de Lisboa, nomeadamente Carnaxide (Oeiras), Casal de Cambra (Sintra) e Damaia (Amadora), adiantou à Lusa fonte policial.

© LUSA/MIGUEL A.LOPES

“Há focos de desordem em várias zonas da Área Metropolitana de Lisboa”, referiu a mesma fonte.

No bairro da Portela, Carnaxide, registaram-se disparos de tiros, alguns dos quais da parte da PSP, que utilizou balas de borracha e que já conseguiu entrar no bairro.

Neste local, foi incendiado hoje à noite um autocarro, além de vários caixotes do lixo e uma viatura ligeira, disse fonte da PSP.

Pelas 23:45, registavam-se neste bairro novos focos de incêndio, de acordo com as imagens televisivas do local.

No concelho de Sintra foi arremessado um objeto contra a esquadra da PSP de Casal de Cambra, sem causar danos, acrescentou a fonte.

Na Damaia houve desacatos em várias ruas, nomeadamente o arremesso de petardos e de pedras na via pública, bem como fogo posto em vários caixotes do lixo.

Antes, ao início da noite, um autocarro tinha sido incendiado no bairro do Zambujal, onde decorreram pela segunda noite desacatos.

Além do policiamento no bairro do Zambujal, a PSP reforçou os meios em vários locais, concertamente nas denominadas Zonas Urbanas Sensíveis (Zus).

Também hoje à noite a PSP indicou, em comunicado, que uma pessoa foi detida por posse de material combustível no bairro do Zambujal.

Odair Moniz, de 43 anos, foi baleado por um agente da PSP na madrugada de segunda-feira, no Bairro da Cova da Moura, na Amadora, e morreu pouco depois, no Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa.

Segundo a direção nacional da PSP, o homem pôs-se “em fuga” de carro depois de ver uma viatura policial na Avenida da República, na Amadora, e “entrou em despiste” na Cova da Moura, onde, ao ser abordado pelos agentes, “terá resistido à detenção e tentado agredi-los com recurso a arma branca”.

A associação SOS Racismo e o movimento Vida Justa contestaram a versão policial e exigem uma investigação “séria e isenta” para apurar “todas as responsabilidades”, considerando que está em causa “uma cultura de impunidade” nas polícias. De acordo com os relatos recolhidos no bairro pelo Vida Justa, o que houve foram “dois tiros num trabalhador desarmado”.

Na segunda-feira, o Ministério da Administração Interna determinou à Inspeção-Geral da Administração Interna a abertura de um inquérito urgente e também a PSP anunciou a abertura de um inquérito interno para apurar as circunstâncias da ocorrência. O agente que baleou o homem foi entretanto constituído arguido, indicou fonte da Polícia Judiciária.

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