Hospital de São José tem 51 doentes com alta que não têm para onde ir

A administração do Hospital São José revelou hoje que os casos sociais estão a bloquear a capacidade de internamento na unidade e a aumentar a pressão nas urgências, que na semana passada tiveram uma procura média de 460 doentes/dia.

© D.R.

Em declarações à Lusa, o presidente do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde (ULS) de São José em Lisboa, Miguel Paiva, disse que está a tentar encontrar soluções, em conjunto com o diretor do serviço de Urgência, que já admitiu demitir-se se o problema não for resolvido.

“Tenho 51 doentes sociais [com alta clínica mas que não conseguem sair da instituição por falta de resposta social] neste momento no hospital, que estão internados e não deviam estar cá, e o número de doentes na urgência à espera de cama que é sensivelmente da mesma dimensão”, explicou o responsável.

Enquanto não houver uma solução estrutural no Serviço Nacional de Saúde para o problema das pessoas com alta clínica que não conseguem sair dos hospitais, a unidade está a tentar “encontrar uma solução alternativa internamente”.

“Precisamos do espaço de urgência para os doentes agudos que todos os dias nos entram. Na semana passada, a média foram 460 doentes por dia”, explicou.

Miguel Paiva lembrou ainda que o Hospital de São José é uma unidade de fim de linha e que 42% dos doentes que procuram a urgência vêm de fora da área geográfica pela qual a unidade é responsável.

“E 15% dos nossos doentes são referenciados por outras urgências ou outros hospitais ou até unidades privadas, em situações de alta complexidade”, acabando depois por ter indicação de internamento, acrescentou.

“Estamos a trabalhar na capacidade de escoamento desses doentes (…) encontrando espaços alternativos que possam ser alocados para este fim”, disse o responsável, explicando que este trabalho está a ser feito “em conjunto com o diretor do serviço de urgência e que espera ter soluções antes da fase de contingência do inverno (dezembro).

O jornal Expresso revelou na terça-feira que o diretor da Urgência ameaçou sair se os doentes continuarem a não ter “tratamento digno”, apontando a falta de recursos para assegurar o internamento de quem precisa.

Questionado pela Lusa, o presidente do Conselho de Administração reconheceu que a tarefa não é simples — “não é carregar numa tecla” – , mas que a administração tem uma estratégia “que está a seguir o seu caminho” e que implica “algumas adaptações em espaços físicos da instituição”, assim como a alocação de alguns profissionais.

Segundo disse, na quinta-feira, a administração tomará decisões sobre a contratação de pessoal e a realocação de algumas pessoas a outras áreas.

A Urgência do São José funciona com o modelo de Centro de Responsabilidade Integrado, com equipas dedicadas e incentivos na remuneração, mas os resultados são afetados pela incapacidade de colocar os doentes onde precisam.

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