INEM não explica envio de bombeiros a 14 minutos de vítima nas Taipas

O INEM identificou e corrigiu os procedimentos operacionais que levaram ao acionamento dos bombeiros de Guimarães para socorrer um homem em paragem cardiorrespiratória nas Taipas, que acabaria por morrer, em vez da corporação local, mas não os revela.

©INEM

Em 12 de julho último, o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) adiantou que iria averiguar por que motivo foram acionados, no dia anterior (11 de julho) os bombeiros de Guimarães para socorrer um homem, de 48 anos, em paragem cardiorrespiratória, quando a corporação local tinha todos os meios disponíveis.

Os Bombeiros Voluntários das Taipas demorariam entre três e cinco minutos a chegar à vítima, adiantou, na ocasião, o comandante em exercício desta corporação, enquanto os bombeiros de Guimarães distam cerca de nove quilómetros e perto de 14 minutos da Avenida dos Combatentes do Ultramar, local da ocorrência e que é área de atuação da corporação das Taipas.

“O INEM concluiu a análise interna à ocorrência, tendo sido identificados os motivos operacionais que determinaram o não acionamento dos Bombeiros Voluntários de Caldas das Taipas. As conclusões da análise foram transmitidas ao Ministério da Saúde”, refere o INEM, em resposta escrita enviada na sexta-feira à agência Lusa.

A Lusa perguntou na sexta-feira ao INEM e na segunda-feira ao Ministério da Saúde quais os procedimentos operacionais em causa, mas, até ao momento, nenhuma das entidades respondeu.

Em declarações proferidas em 13 de julho, a ministra da Saúde afirmou estar a aguardar pelos esclarecimentos do presidente do INEM, Luís Mendes Cabral.

“Certamente que o presidente do INEM muito rapidamente virá explicar o que é que se passou. Acho que é importante ouvirmos aquilo que tem para dizer e eu aguardaria a comunicação dele”, referiu Ana Paula Martins aos jornalistas, à margem da inauguração da requalificação do Centro de Saúde de Miranda do Corvo, no distrito de Coimbra.

Na resposta remetida na sexta-feira à Lusa, o INEM acrescenta que, na sequência da análise feita à ocorrência, “realizou-se uma reunião entre o presidente do INEM, o presidente da Associação Humanitária e o Comando do Corpo de Bombeiros” das Caldas das Taipas.

“Tendo sido acordadas as medidas necessárias para corrigir os procedimentos identificados e prevenir a repetição de uma situação semelhante no futuro”, explica o INEM.

Contactado aquando da ocorrência pela Lusa, o comandante em exercício dos Bombeiros Voluntários das Taipas, concelho de Guimarães, distrito de Braga, confirmou que a corporação tinha todos os meios operacionais disponíveis, assumindo surpresa pelo sucedido.

“O CODU [Centro de Orientação de Doentes Urgentes] acionou diretamente os bombeiros de Guimarães em vez do nosso corpo de bombeiros, porque a área de atuação é nossa. Estamos operacionais e tínhamos os meios disponíveis. Ficámos estupefactos quando vimos nas redes sociais que Guimarães veio à nossa área de atuação por indicação do CODU, quando temos a nossa parte operacional em condições, os meios em prontidão e não fomos notificados para esta ocorrência”, sublinhou José Augusto Ferreira.

Na resposta, o INEM refere ainda que “num sistema que gere mais de 1,6 milhões de chamadas por ano, podem ocorrer pontualmente situações que exigem a correção ou o aperfeiçoamento de procedimentos operacionais”.

“Foi o que sucedeu neste caso, tendo o INEM atuado para corrigir os procedimentos identificados”, salienta este organismo.

O INEM diz também que, “embora os Bombeiros Voluntários de Caldas das Taipas se encontrassem geograficamente mais próximos do local da ocorrência, o acionamento dos Bombeiros Voluntários de Guimarães não condicionou a assistência pré-hospitalar prestada face à situação clínica do utente”.

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