Apenas 100 candidatos em quase 300 passaram provas físicas para guarda prisional

Dados dos sindicatos dos guardas prisionais e Governo indicam que, concluídas as provas físicas, já só restam cerca de 100 candidatos aptos para recrutamento, e os sindicatos apelam a "compromissos de futuro" que não comprometam a missão da carreira.

© ASCCGP

Os dados da Associação Sindical de Chefias do Corpo da Guarda Prisional (ASCCGP) e do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP) não são completamente coincidentes, mas apontam para cerca de uma centena de candidatos que resistiram às provas físicas do concurso, entre os cerca de 300 admitidos para 225 vagas a concurso.

Números adiantados à Lusa pelo Ministério da Justiça (MJ) confirmam que dos 292 candidatos admitidos já só 99 permanecem aptos a prosseguir provas, com 96 a ser considerados inaptos e 97 a desistir do concurso, não comparecendo às provas físicas, que decorreram esta semana em Lisboa, durante quatro dias, e na passada semana, em Ponta Delgada e no Funchal.

“A conjuntura é bastante desfavorável à missão dos guardas”, disse à Lusa o presidente da ASCCGP, Hermínio Barradas, que admite que se pode estar a caminhar para um cenário que favoreça “acontecimentos indesejáveis” em matéria de segurança, lamentando ainda que com este cenário não se consiga mais uma vez atingir o objetivo de rejuvenescimento da carreira.

Já Frederico Morais, do SNCGP, pede que se assumam “compromissos de futuro e não de mandato” em relação à carreira e às condições de trabalho dos guardas, apontando o elevado número de desistências no recrutamento em curso, com cerca de 30% dos candidatos admitidos a não comparecer às provas, segundo os dados recolhidos pelo sindicato.

“Recebe-se mais a trabalhar num supermercado, onde se tem um horário fixo”, disse Frederico Morais, que insiste que os números relativamente aos salários em início de carreira avançados pelo Ministério da Justiça a propósito deste concurso não correspondem à realidade.

Na audição parlamentar este mês da equipa do Ministério da Justiça, a ministra Rita Alarcão Júdice deixou críticas aos sindicatos sobre este procedimento de contratação, apontando-lhes tentativas de desvalorizar a carreira e as condições salariais de entrada.

Frederico Morais diz que “é preciso ter condições” de atratividade na carreira e que “é preciso fazer muito mais” até em matéria de segurança dos próprios guardas: “Não basta falar-se em serviços prisionais quando há uma fuga”.

O presidente do SNCGP mostrou-se ainda cético relativamente ao calendário da Direção-Geral da Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) para início do curso de formação de guardas atualmente na fase de prestação de provas.

Segundo as informações recolhidas pelo sindicato junto da DGRSP, há a intenção de iniciar o curso em junho e de encurtá-lo de nove para seis meses, permitindo a entrada mais cedo em serviço dos instruendos, mas Frederico Morais, face ao elevado número de “chumbos” e desistências duvida que venha a haver candidatos em número suficiente para que o curso se inicie.

Já o presidente da ASCCGP admite que haja desistências também motivadas por oportunidades de carreira noutras forças de segurança, onde as perspetivas de progressão são melhores, disse.

Hermínio Barradas deixou ainda críticas à “paragem administrativa” do concurso para 45 chefes da guarda prisional, aberto em julho de 2023 e que parou em maio de 2024, faltando apenas aos cerca de 300 guardas a concurso prestar provas de conhecimentos, questionando quais são as “intenções políticas” sobre a matéria, e alertando que existem já estabelecimentos prisionais a ser chefiados por guardas, por falta de chefias nos quadros dos estabelecimentos.

Sobre esta matéria, o MJ esclareceu, citando informação da DGRSP, que o concurso se encontra bloqueado pela necessidade de avaliar e decidir a dispensa ou não de provas físicas, caso a caso, de 28 candidatos que se encontram de baixa médica ou sofreram acidentes de trabalho.

As provas a cada fase do concurso têm caráter eliminatório e as regras do concurso determinam que os candidatos devem poder prestar provas em igualdade de circunstâncias, pelo que a DGRSP decidiu por uma avaliação médica que determine a capacidade para as prestar.

A avaliação foi solicitada pela DGRSP a peritos do Instituto Nacional de Medicina Legal (INML): “Assim, serão estes 28 opositores ao presente procedimento concursal sujeitos a uma avaliação médico-legal detalhada para se aferir da sua dispensa ou não, da totalidade ou parcialidade da realização do método de seleção provas físicas”.

Concluída essa fase de provas físicas fica apenas a faltar a prestação de provas de conhecimentos, confirmou o MJ, as quais devem acontecer em simultâneo, por serem iguais para todos os candidatos.

Citando a DGRSP, o MJ rejeita ainda que o concurso esteja parado desde maio de 2024, afirmando que houve reuniões do júri em novembro para decidir entre outras matérias a questão das perícias médico-legais.

Últimas do País

A ministra da Saúde reconheceu esta terça-feira que a gestão das duas greves que afetaram o INEM em 2024 “podia ter sido mais bem feita” e que o instituto “não se terá apercebido” da possibilidade de decretar serviços mínimos.
Um programa de apoio médico e psicológico ajudou mais de 86.000 pessoas com doenças avançadas e as suas famílias nos últimos sete anos, revelou hoje a organização responsável pelo projeto.
A Infraestruturas de Portugal (IP) contabiliza 26 estradas no território nacional que continuam encerradas após a passagem do comboio de tempestades, realçando que já foi possível resolver 92% dos cortes registados.
O presidente do CHEGA, André Ventura, participou esta terça-feira numa concentração em frente ao Palácio de Belém, convocada pelo partido em protesto contra a visita do presidente do Brasil, Lula da Silva, e contra a insuficiência no combate à corrupção.
A Unidade Local de Saúde (ULS) do Alto Alentejo esclareceu hoje que o homem baleado em Portalegre, na segunda-feira, continua internado no hospital local e não fugiu, ao contrário do que foi anteriormente divulgado por fonte hospitalar.
O presidente do INEM afirmou hoje que o instituto deve aos bombeiros cerca de 9,7 milhões de euros pelo transporte urgente de doentes referente a fevereiro, menos de metade do valor reivindicado pela Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP).
O comandante da PSP de Vila Real chamou hoje a atenção para as instalações do comando distrital, há 20 anos num edifício provisório, e para o envelhecimento do efetivo, sinalizando um aumento da criminalidade denunciada em 2025.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) emitiu hoje aviso amarelo de precipitação, por vezes forte, para as ilhas do grupo Oriental dos Açores, mantendo os avisos de vento e agitação marítima para as nove ilhas.
O homem de 32 anos que ficou ferido após ser baleado à entrada de um hipermercado, em Portalegre, na segunda-feira, fugiu do hospital da cidade onde estava internado, disse hoje à agência Lusa fonte hospitalar.
A Entidade Reguladora da Saúde ordenou suspender a actividade em 19 estabelecimentos de cuidados de saúde em três anos, na maioria para ter profissionais identificados a realizar na área de procedimentos estéticos para os quais não estavam habilitados.