Treze doentes internados na urgência do hospital São José por razões sociais

Treze doentes permanecem internados no serviço de urgência da Unidade Local de Saúde (ULS) de São José, em Lisboa, alguns já há muitos dias, apenas à espera de uma resposta social, alertou à Lusa o enfermeiro Paulo Barreiros.

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Coordenador do Centro de Responsabilidade Integrada do Serviço de Urgência (CRISU) da ULS São José, que entrou em funcionamento há um ano, Paulo Barreiros acompanha de perto a complexidade dos casos que chegam ao serviço.

Segundo o enfermeiro, são doentes com múltiplas comorbilidades, muitos deles idosos e isolados, que necessitam de apoio após a alta, mas que, na ausência de alternativas, continuam internados.

“Só no serviço de urgência, à data de hoje [segunda-feira], 13 doentes aguardam resposta social, alguns já com muitos dias de evolução”, elucidou.

Com quase 30 anos de trabalho no Hospital São Jose, o enfermeiro refere que o fenómeno não é novo, mas está a agravar-se com o envelhecimento da população.

“A esperança de vida aumentou, vive-se mais, objetivamente, mas conforme se vão passando os anos, vive-se com menos qualidade”, disse, salientando que as respostas da comunidade “são ainda muito deficitárias”.

A equipa do CRISU, a primeira equipa hospitalar multidisciplinar dedicada apenas à urgência, tenta fazer a ponte entre os cuidados hospitalares e a rede social.

“Temos cinco assistentes sociais integrados na equipa CRISU”, o que demonstra “a dimensão do trabalho” necessário, afirmou, assinalando que a localização do hospital no centro de Lisboa também contribuirá para o elevado número de “utentes sociais”.

Segundo o enfermeiro, cerca de 30% dos doentes internados no Serviço de Medicina aguardam uma resposta social ou vaga na Rede Nacional de Cuidados Continuado Integrados, o que limita “em muito” a capacidade de resposta de internamentos.

Muitos dos doentes chegam à urgência com “uma patologia crónica agravada” e são cada vez mais idosos, com múltiplas doenças, com dificuldades socioeconómicas e “carências em cuidados de saúde”.

Para a administradora hospitalar do CRISU, Miriam Viegas, a equipa tem dado “uma boa resposta à população”, destacando a redução dos tempos de espera e das reclamações, e os utentes estão satisfeitos “porque os tempos de espera estão a reduzir” e o hospital estar a internar “os utentes que precisam”.

Contudo, reconheceu que persistem dificuldades, nomeadamente na articulação com outros serviços do hospital, com outras unidades de saúde e com as respostas existentes na comunidade.

“Isto provoca, muitas vezes, um aumento de tempo de permanência na urgência após a decisão clínica, que era de evitar, causa alguma pressão sobre os profissionais” e, por vezes, algum descontentamento nos utentes por não terem uma resposta atempada na sociedade.

Miriam Viegas adiantou que esta situação está a ser trabalhada pelos profissionais, com o envolvimento do Conselho de Administração, para desenvolver soluções mais adequadas, não só para os utentes sociais e os que aguardam vaga na rede, mas também para a população migrante para a qual o hospital tem sido um apoio.

Contou que os migrantes recorrem muitas vezes às urgências do São José e ao CRISU, por não terem outro tipo de resposta ou desconhecer as respostas que existem na comunidade, fazendo “da urgência o seu centro de saúde”, o que levou a um aumento discreto das readmissões em 72 horas.

Parte desses casos são acompanhados na Clínica de Atendimento do Serviço de Urgência, criada para responder a situações não urgentes, mas que carecem de atenção clínica.

“Temos feito o encaminhamento destes utentes para os centros de saúde, tratado das suas inscrições” e atribuído o número nacional de utente para que rapidamente possa estar integrados no sistema, realçou Miriam Viegas.

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