MP quer que 29 arguidos no processo Tutti Frutti devolvam mais de 580 mil euros ao Estado

O Ministério Público (MP) quer recuperar para o Estado mais de 580 mil euros, resultantes da prática dos crimes imputados a 29 arguidos acusados no processo Operação Tutti Frutti.

© LUSA/Tiago Petinga

“Os arguidos obtiveram vantagens patrimoniais indevidas, para si e para terceiros, à custa do erário público, diretamente resultantes da prática dos crimes (…). Tais quantias deverão reverter a favor do Estado”, defende o MP na acusação no ponto sobre perda das vantagens do crime, no âmbito do qual quer ver restituídos aos cofres do Estado 588.135,10 euros, exigidos a 29 arguidos particulares e empresas.

O MP quer também ver declarados perdidas a favor do Estado as quantias apreendidas a três arguidos: 2.000 euros, em numerário, apreendidos a Nuno Firmo, que foi vogal na Junta de Freguesia de Santo António, em Lisboa; 1.640 euros a Pedro Rodrigues, jurista, militante do PSD e ex-presidente da JSD; e 6.680 euros a Paulo Quadrado, militante do PSD, antigo membro do Conselho Nacional do partido, ex-presidente da Junta de Freguesia da Graça e assessor da vereação PSD na Câmara Municipal de Lisboa e do grupo municipal do partido na Assembleia Municipal de Lisboa.

A Sérgio Azevedo, antigo deputado e líder da representação do PSD na Assembleia Municipal de Lisboa entre 2013 e 2017 por exemplo, são reclamados mais de 123 mil euros.

A Carlos Eduardo Reis, deputado do PSD, e à empresa Ambigold são reclamados quase 211 mil euros; a Nuno Firmo e à empresa Valley Innovation mais de 110,5 mil euros.

A Luís Newton, presidente da Junta de Freguesia da Estrela, em Lisboa, e deputado do PSD, o MP reclama a devolução de mais de 14,6 mil euros e ao vereador Ângelo Moreira, do executivo lisboeta liderado por Carlos Moedas, a devolução de cerca de 600 euros, “relativo aos custos da viagem proporcionada pela INFORMANTEM”.

José Guilherme Aguiar, atualmente vereador eleito pelo PS na Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, deve ser obrigado a restituir 3.690 euros, defende o MP, relativos à celebração de contratos-programa de desenvolvimento desportivo entre a autarquia e clubes em benefício da Ambigold, empresa tutelada pelo também arguido e deputado do PSD Carlos Eduardo Reis.

O MP pede que os arguidos sejam condenados ao “pagamento destes valores e de todos os demais que venham a ser apurados em julgamento e que decorrem dos factos descritos na acusação como vantagem económica direta ou indiretamente resultante de tais factos”.

Os arguidos no processo são, genericamente, acusados de crimes de corrupção ativa e passiva, prevaricação, branqueamento de capitais, falsificação, entre outros.

A operação denominada ‘Tutti Frutti’ investigou desde 2018 alegados favorecimentos a militantes do PS e do PSD, através de avenças e contratos públicos, estando em causa suspeitas de corrupção passiva, tráfico de influência, participação económica em negócio e financiamento proibido.

Últimas do País

A pobreza persistente afetava 61,7% das pessoas pobres em Portugal, em 2025, de acordo com os resultados do estudo 'Trajetórias da Pobreza e da Privação', hoje divulgados no âmbito do projeto 'Portugal, Balanço Social'.
Luís Peixoto Gomes, de 31 anos, conhecido por “Turko” ou “Sultão”, começa esta quarta-feira a ser julgado no Tribunal de Braga, acusado de tentar matar um jovem de 27 anos, natural de Almada, com pelo menos sete golpes de navalha. O ataque ocorreu durante a Noite Branca de Braga, depois de o arguido ter descoberto a proveniência da vítima.
A WWF Portugal realizou um evento na Assembleia da República, num espaço cuja cedência contou com o voto favorável do CHEGA. Apesar disso, o segundo maior grupo parlamentar não recebeu qualquer convite.
Três indivíduos encapuzados tentaram roubar o automóvel de um casal de idosos, em plena luz do dia, no Carregado. O proprietário da viatura, de 80 anos, procurou impedir o assalto, mas acabou empurrado e caiu ao chão. Os suspeitos armados fugiram sem conseguir levar o Mercedes.
Os dois homens detidos numa operação contra o tráfico de droga ao largo de Faro, na qual morreu um terceiro suspeito, ficaram em prisão preventiva, disse hoje à Lusa fonte da Polícia Judiciária (PJ).
A Polícia Judiciária (PJ) extraditou na terça-feira para o Reino Unido um português suspeito de homicídio por ter participado há seis anos num confronto de gangues em Manchester que resultou na morte de uma pessoa.
A Polícia Judiciária (PJ) deteve nas Caldas da Rainha, no distrito de Leiria, um homem procurador por França por suspeita de "fraude fiscal e branqueamento, através do denominado esquema 'carrossel do IVA'", anunciou hoje a força policial.
Uma intervenção da Guarda Nacional Republicana (GNR) na Autoestrada 2, na zona de Alcácer do Sal, terminou com a apreensão de cerca de oito mil litros de gasolina.
A Polícia Judiciária e a Autoridade Tributária desencadearam uma operação que envolve o Banco Carregosa e o Banco Angolano de Investimento Europa. Em causa está um esquema de transações imobiliárias destinado a beneficiar de isenções fiscais, com suspeitas de prejuízos de milhões de euros para o Estado.
Ana Sofia Dias, antiga presidente da Junta de Freguesia de Penha de França, em Lisboa, foi contratada pela Junta de Freguesia de Agualva e Mira Sintra, liderada pelo Partido Socialista. A ex-autarca está acusada dos crimes de corrupção passiva agravada e prevaricação no âmbito do processo Tutti-Frutti, que investiga alegadas irregularidades envolvendo antigos responsáveis autárquicos.