Presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária demite-se por razões pessoais

O presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), Rui Ribeiro, demitiu-se do cargo por razões pessoais, disse hoje o próprio à Lusa.

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Rui Ribeiro estava à frente da ANSR há seis anos, tendo sido designado quando Eduardo Cabrita era ministro da Administração Interna, e terminava o mandato em junho.

Em declarações à Lusa, Rui Ribeiro afirmou que a sua demissão está apenas relacionada com questões pessoais, considerando que “se fecha um ciclo” com a sua saída da ANSR.

Rui Ribeiro sai da ANSR sem ver aprovada pelo Governo a Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária – Visão Zero 2030, que tem como meta a redução em 50% do número de mortos e feridos graves na estrada até 2030, um documento que foi elaborada pela ANSR e entregue ao Governo socialista no final de 2023.

Questionado sobre a saída antes de o documento estar terminado, Rui Ribeiro afirmou que a estratégia está pronta para ser aprovada “e não há muito mais a acrescentar”.

O agora presidente demissionário da ANSR afirmou que a sua missão foi cumprida, destacando dos seus seis anos à frente deste organismo “a reorganização interna da ANSR” e ter conseguido “uma maior consciência individual e coletiva” sobre a segurança rodoviária.

Rui Ribeiro destacou igualmente os radares de controlo de velocidade colocados nos últimos dois anos, que tiveram “um impacto claro na sinistralidade”, contribuindo para uma redução dos acidentes nesses locais.

No entanto, Rui Ribeiro não conseguiu, ao longo dos seis anos que esteve à frente da ANSR, alterar os dados da sinistralidade e reduzir os acidentes e os mortos nas estradas.

O responsável justificou-se com o facto de “não terem sido feitas grandes mudanças do ponto de vista estrutural”, designadamente nos cinco eixos fundamentais: Utilizadores seguros, veículos mais seguros, infraestruturas mais seguras, velocidade mais segura e intervenção após acidente.

A Lusa contactou o Ministério da Administração Interna sobre esta demissão, mas até ao momento não obteve qualquer resposta.

Dados provisórios da ANSR indicam que no ano passado se registaram 133.811 acidentes no Continente que provocaram 461 mortos, 2.506 feridos graves e 41.489 feridos ligeiros.

Em comparação com 2023, observaram-se aumentos em todos os indicadores, exceto nas vítimas mortais (menos seis). No total, em 2024 ocorreram mais 1.992 (1,5%) acidentes do que em 2023, mais 69 feridos graves (2,8%) e mais 431 feridos ligeiros (1,0%).

Em relação a 2019 – ano de referência para monitorização das metas de redução do número de mortos e de feridos graves até 2030 fixadas pela Comissão Europeia e por Portugal – registou-se uma diminuição no número de acidentes (1%), nas vítimas mortais (2,7%) e nos feridos ligeiros (4%), mas em contrapartida houve mais 205 feridos graves (8,9%).

Segundo o relatório diário de sinistralidade da ANSR, entre 01 de janeiro e 09 de fevereiro deste ano registaram-se 13.674 acidentes, 43 mortos, 180 feridos graves e 3.896 feridos ligeiros, uma ligeira diminuição face ao mesmo período de 2024.

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